sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

Bocage

Bocage, o poeta português Manuel Maria Barbosa l'Hedois du Bocage (Setúbal, 15 de setembro de 1765 – Lisboa, Mercês, 21 de dezembro de 1805) apesar de ter sido, possivelmente, o maior representante do arcadismo lusitano, acabou tornando-se conhecido por seus textos provocativos e muitas vezes de caráter erótico. Por ter morado no Brasil por alguns anos a partir de 1786 seu trabalho desenvolveu um interesse especial em nosso país.

Com o passar do tempo e com sua obra caindo em domínio público, dezenas de editoras populares acabaram publicando livros com o título genérico de Piadas ou Anedotas do Bocage, com fatos atribuídos à biografia do autor e outros sem a menor relação com sua obra, muitos agrupando piadas de salão e atribuindo sua autoria ao escritor.

Pequenas editoras como a Livraria Império (Rio de janeiro, 1956) e a Livraria A Barateira (Lisboa, 1954) lançaram edições como essas, mas as que nos interessam particularmente são duas editoras brasileiras que lançaram versões em quadrinhos do personagem:

Editora O Livreiro - depois de ilustrar vários livros com literatura de cordel, narrando fatos engraçados ou pitorescos atribuídos a Bocage e usando uma figura de nariz proeminente como sendo o autor lusitano, a editora lançou várias edições com quadrinhos ou cartuns com esse modelo, no traço de João Batista Queiroz e Nico Rosso.

Nas figuras abaixo o Bocage narigudo da editora Luzeiro no traço de Nico Rosso e João Batista Queiroz.

Saber / Super-Plá/ Savério Fittipaldi - as várias editoras da família Fittipaldi, tradicionais editores paulistanos, também têm sua a versão ilustrada do Bocage, estas sempre realizadas pelo desenhista Edú (Eduardo Carlos Pereira), assíduo colaborador dos Fittipaldi e lançadas a partir de meados dos anos 1970 em revistas formato livro tais como: Bocage, Piadas do Bocage e Piadas em Quadrinhos. Edú tinha duas versões gráficas do poeta, uma mais jovem e de cabelos escuros e outra um pouco mais velha, usando uma peruca branca. Ambas vestiam roupas de época, mas frequentemente viviam suas aventuras na atualidade.

Abaixo os dois Bocages de Edú em Anedotas e Piadas do Bocage (Editora Super-Plá) e O Gozador (Editora Savério Fittipaldi).

...........................................................................

Sobre Queiroz na Wikipedia: João Batista Queiroz é um quadrinista e ilustrador brasileiro. Começou sua carreira trabalhando como ilustrador nas revistas do grupo La Selva. Nos anos 1950, foi responsável pelas revistas em quadrinhos de personalidades populares à época, como as duplas de palhaços Arrelia & Pimentinha e Fuzarca & Torresmo e os atores Grande Otelo e Oscarito. Nos anos 1970, criou o personagem infantil Zuzuca para a publicação Álbum Infantil. Nos anos 1980, trabalhou com o gibi do grupo humorístico Os Trapalhões. Em 1988, ele ganhou o Prêmio Angelo Agostini de Mestre do Quadrinho Nacional".

Para saber mais sobre Edú clique aqui.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

Ensaio Sobre a Bobeira - 2010

Em 22 de janeiro de 2010, uma sexta-feira, estreava no jornal O Estado de S. Paulo a série Ensaio Sobre a Bobeira, de Lourenço Mutarelli.

Afastado dos quadrinhos por quase 5 anos, Mutarelli, que já era um artista multimídia nessa época, retomava sua produção justamente com uma tira de jornal. No dia anterior à publicação o jornal declarou: "uma experiência gráfica cheia de non-sense e estranhamento, um tipo de comentário visual sobre a natureza humana". 

Usando o personagem Bob, "uma brincadeira com bobo", que mudava de aparência a cada aparição, o autor explicou assim o processo criativo do material: "Às vezes faço um desenho e, a partir do desenho, crio algum diálogo, algum texto, que é o processo inverso de você fazer um roteiro de quadrinhos. Você cria uma imagem e vê o que essa imagem quer dizer, complementa ela com alguma frase". "E tem esse ensaio, uma homenagem ao Zéfiro, essas mulheres com bifes sobre o rosto, que é só para eu ser perseguido pelas feministas (risos)".

A série teve curta duração, sobrevivendo por poucas semanas, mas foi reunida no livro Sequelas da editora Comix Zone em 2023.

....................................................

Sobre o autor, na Wikipedia:

"Lourenço Mutarelli (São Paulo, 18 de abril de 1964) é escritor, ator, professor, dramaturgo e autor de histórias em quadrinhos brasileiro. Forçado pelo seu pai, cursou a Faculdade de Belas Artes. Durante três anos, trabalhou na Maurício de Sousa Produções, no começo como intervalador e depois como cenarista.

Entusiasmado pelo grande número de revistas que surgiram na década de 1980, tentou publicar suas histórias sem sucesso - foram consideradas muito "estranhas". Também fez humor criando o personagem "Cãozinho sem pernas" que ainda hoje, é lembrado com saudade por seus leitores. 

Iniciou sua produção em histórias em quadrinhos por meio dos fanzines, distribuídos pelo próprio autor. Seus dois títulos, Over-12 (1988) e Solúvel (1989) tiveram 500 exemplares impressos pela extinta Editora Pro-C, de Francisco Marcatti, importante nome nos quadrinhos underground na década de 80, e hoje são raridades.

Publicou ainda tirinhas e histórias de uma página na revista Animal – publicação mensal sob a editoração de Rogério de Campos, Fabio Zimbres, Priscila Farias e Newton Foot que publicava, entre materiais nacionais, um leque de autores europeus – e em outros títulos da Editora Vidente – de Gilberto Firmino. Com Marcatti e Glauco Mattoso editou dois números da revista "Tralha", também publicada pela Vidente.

Recebeu vários prêmios e é aclamado por sua participação no cinema e no teatro. Criador da arte do filme Nina, dirigido por Heitor Dhalia, autor do romance O Cheiro do Ralo, adaptado para o cinema, dirigido por Heitor Dhalia e estrelado por Selton Mello. O protagonista, que tem o nome velado no romance, no cinema recebe a alcunha do autor do livro.

Seu romance O Natimorto foi adaptado para o teatro pelo dramaturgo Mário Bortolotto e ganhou as telas em 2011 com Mutarelli no elenco.

A maior parte de suas publicações aconteceram por intermédio da Devir Editora e pela Companhia das Letras. Compartilhou seu cotidiano no seu blog (durante 2007) e na revista Piauí Nº 35 em uma matéria desenhada.


sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

Marcello Quintanilha - 2010

A partir de 22 de janeiro de 2010, Marcello Quintanilha começou a publicar uma tira em quadrinhos no Caderno 2, do jornal O Estado de S. Paulo.

Seguindo o trabalho que o autor já desenvolvia em seus álbuns, sem um título específico e sem personagens fixos, Quintanilha nos contava semanalmente uma espécie de crônica em quadrinhos, abordando os dramas cotidianos das periferias, com seus dramas, amores e situações pitorescas da população brasileira. Infelizmente a série teve curta duração.

...................................................

Sobre o autor, no site Cultura Niterói:

"Nascido em Niterói (RJ) em 1971 e radicado em Barcelona, Marcello Quintanilha, também conhecido pelo pseudônimo Marcello Gaú, é um famoso quadrinista brasileiro, autor de diversos livros que retratam o cotidiano brasileiro em crônicas visuais.

Seu primeiro trabalho em quadrinhos foi publicado em 1988. Ainda adolescente, ele desenhou histórias de artes marciais para a revista Mestre Kim, da Bloch Editores. Na época, assinava como Marcello Gaú, por acreditar que as histórias em quadrinhos não poderiam servir como profissão.

Aos 18 anos, tendo concluído o Segundo Grau, começou a trabalhar como animador para uma escola de inglês. Passou sete anos no emprego, usando o tempo livre para desenvolver seus projetos pessoais. A convite de Rogério de Campos, diretor da Editora Conrad, passou a colaborar com as revistas General e General Visão, nas quais publicou histórias como “Granadilha” e “Dorso”. No mesmo período, criou trabalhos também para as revistas Nervos de Aço, Metal Pesado, Zé Pereira e Heavy Metal.

Sua primeira graphic novel foi publicada em 1999. “Fealdade de Fabiano Gorila” era uma história baseada na vida de seu pai, que foi jogador de futebol do Canto do Rio na década de 1950. No mesmo ano,durante a primeira edição do Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte, conheceu o francês François Boucq, que se interessou pelo seu trabalho e convenceu-o a enviar seus desenhos para editoras europeias. Em 2003, publicou La promesse (A promessa), primeiro volume da série Sept balles pour Oxford (Sete balas para Oxford), pela editora belga Le Lombard, com roteiro do argentino Jorge Zentner e do espanhol Montecarlo. A série teve, ao todo, sete volumes, que foram publicados no período entre 2003 e 2012.

O contrato com a editora belga levou Quintanilha a mudar-se para Barcelona, para ficar mais próximo dos roteiristas da série. Passou a publicar também ilustrações nos jornais espanhóis El País e Vanguardia.

Ao mesmo tempo, continuou produzindo álbuns para o público brasileiro. Em 2005, publicou “Salvador”, na coleção Cidades Ilustradas da editora Casa 21. Seguiram-se “Sábado dos meus amores” (2009, troféu HQ Mix de melhor desenhista nacional) e “Almas públicas” (2011). Em 2016, recebeu o prêmio Fauve Polar SCNF do Festival de Angoulême, principal premiação francesa das histórias em quadrinhos, pela HQ “Tungstênio”.

Entre suas princinpais obras, podem ser citadas: “Fealdade de Fabiano Gorila” (Conrad, 1999); “Salvador” (Casa 21, 2005); “Sábado dos Meus Amores” (Conrad, 2009); “Almas Públicas” (Conrad, 2011); “Ateneu” (Ática, 2012); “Tungstênio” (Veneta, 2014); “Talco de Vidro” (Veneta, 2015) e “Hinário Nacional” (Veneta, 2016), além da série de sete volumes “Sept Balles Pour Oxford” (2003-2012). Também inclui em seu currículo a arte do disco “A invasão do sagaz homem fumaça” (2000), do Planet Hemp e animações para o filme espanhol “Chico & Rita” (2010), que foi indicado ao Oscar em 2012."


sexta-feira, 25 de novembro de 2022

As Aventuras de Jabuca - 1961

As aventuras de Jabuca, tira em quadrinhos de J.C.Lobo, que começou a ser publicada em 9 de agosto de 1961, no suplemento A Tribuninha, do jornal A Tribuna de Santos (SP).

Jabuca iniciou como integrante das Aventuras de Patolo e Patilda do jornalista Hamleto Rosato, editor de A Tribuninha e que foi publicado em capítulos semanais no jornal a partir de 24 de agosto de 1960 e posteriormente reunidos em livro, mas ao contrário dos seus companheiros de texto as tiras de Jabuca tiveram vida efêmera.

Junto com seus amigos Soneca, Vareta e Desbotado, Jabuca vivia aventuras simples de caráter ético e moral.

Jabuca também era a apelido do Jabaquara Atlético Clube, time santista que existente até nossos dias.

sexta-feira, 18 de novembro de 2022

Conquistadores do Espaço - 1952

A série Conquistadores do Espaço estreou em 16 de novembro de 1952 no Jornal do Dia (RS). Ocupando a Página Infantil do periódico, era publicada geralmente aos domingos. Com roteiros de Marcomiro Jr. (Marcomiro Leite Filho) e desenhos de Adão F. Gonçalves a tira conta a história do Dr. Márcio César formado na Universidade de Estudos Cósmicos e que trabalha na construção da espaçonave Centúria. Ele; Tânia, a copiloto, e o cinegrafista Rui; pretendem alcançar o planeta Órbiton.

As aventuras foram interrompidas no capítulo 22 de maio de 1953.

Marcomiro Jr., jornalista pernambucano, veio do Jornal do Comércio, de Recife, e foi contratado pelo Jornal do Dia, onde dirigia a Página Infantil com o pseudônimo de Tio Lucas, além de trabalhar no Departamento de Publicidade e colaborar com o Suplemento Internacional.

Adão F. Gonçalves cursou artes plásticas e foi contratado pelo jornal aos 24 anos fazendo ilustrações e trabalhando no Departamento de Publicidade do veículo.

Ilustração de Adão F. Gonçalves para o Jornal do Dia em 1952,

Agradecimentos ao amigo Francisco Dourado. Para ler a série completa dos Conquistadores do Espaço clique aqui.

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

Armação Ilimitada - 1986

Aproveitando o nome da série de grande sucesso da Rede Globo, Armação Ilimitada fazia uma crítica contundente à política social e econômica do governo do presidente José Sarney (1985-1990).

Foi publicada no jornal Sindiluta, do Sindicato dos Químicos e Farmacêuticos de São Paulo. Sempre em tom de denúncia, mas nunca esquecendo o bom humor, os personagens Navalha, Baiano, Zenaide, Fuinha e Seu Otávio representavam um microcosmo do ambiente operário da época.

A série foi produzida pelos cartunistas Bira Dantas e Francisco Marcatti.

Sobre sua experiência na imprensa sindical Bira Dantas escreveu: "Desde 1980 eu exercia a atividade de chargista em paralelo à de quadrinhista. Em abril de 1982 fui contratado pelo Sindicato dos Químicos e Farmacêuticos de SP. Na época eu ainda era desenhista do Gibi dos Trapalhões da Bloch produzido no estúdio Ely Barbosa em SP. Em 1980 eu havia produzido charges e quadrinhos para a Chapa de Oposição Sindical. Os boletins eram redigidos pelo jornalista Valdeci Verdelho. Quando ganharam a eleição no sindicato, convidaram o Valdeci a montar um departamento de imprensa. Ele convidou Joaquim de Carvalho para diagramação e projetos gráficos, Maria Módolo para digitação e eu como chargista. De cara, criou o Sindiluta, um boletim informativo diário formato A4, frente e verso, 2 cores, com tiragem de 8 mil exemplares. Depois o departamento foi ampliado com a contratação do diagramador Dimaz Pimenta e mais a jornalista Eliane. Em 1983, Marcatti cobriu minhas férias fazendo as charges do Sindiluta (escreveu um depoimento com esta experiência pro Fanzine Quadrix de Worney). Em 1984, Valdeci saiu e foram contratados os jornalistas Rui Costa Pimenta, César Nogueira, o diagramador Wagner Pinto de Rocha e o quadrinhista Francisco Marcatti, que produziu ilustrações e cartazes pro Sindicato. Em 1985 Marcatti editou a coletânea "Bira, quem diria, você é um subversivo!" com charges publicadas no Sindiluta, onde publicamos duas séries em Quadrinhos "Armação Ilimitada" e "Arrocho Salarial", roteirizada por mim e desenhadas por nós dois. Marcatti foi trabalhar no departamento de imprensa da CUT SP e acabou nos deixando. Logo depois foi contratada a jornalista Elizete e o cartunista Paulo Monteiro que criou a série de tiras da Mimi (personagem que ele publicava como "Mimi a metaleira" no Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André), Meia-Noite, entre outros. Paulo Monteiro saiu e o Sindicato contratou o cartunista Custódio. Deixei o Sindicato em 1988".

sexta-feira, 4 de novembro de 2022

Garota Dourada - 1983

Garota Dourada foi um longa-metragem brasileiro produzido em 1983 com direção de Antônio Calmon e é uma continuação do filme Menino do Rio de 1981, também de Calmon.

Na história, depois de ser abandonado por sua esposa, o surfista Ricardo Valente (André de Biase) decide ir para o litoral catarinense na companhia de sua filha e do astro de rock Zeca (Sergio Mallandro). Lá ele se apaixona por Diana (Bianca Byington) e desperta fúria do inescrupuloso Betinho (Roberto Bataglin), também apaixonado pela moça. Os dois travarão uma disputa pelo coração de Diana, a "garota dourada".

Duas semanas antes da estreia em 25 de dezembro, foram lançados nos jornais anúncios de página inteira em que algumas sequencias do filme eram contadas em forma de tiras em quadrinhos, como em um trailer desenhado. No último anúncio, no Natal de 1983, o público era convidado a ver o restante das aventuras nos cinemas.

Nos anúncios, produzidos pela agência de propaganda Esquire, os atores eram retratados com bastante fidelidade e os desenhos foram produzidos pelo ilustrador argentino radicado no Brasil desde 1968 Alberto Garcia, na época funcionário da agência.

Auto-retrato de Alberto Garcia.