quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Turma do Barnabé - 1992

Na linha das aventuras caipiras como Chico Bento de Mauricio de Sousa e Caruncho e Caroço de Paulo Hamasaki surgiu no início dos anos 1990 a Turma do Barnabé, criadas por Franco de Rosa.

Juntando a inocência malandra e malícia inocente do povo do interior do sudeste e centro-oeste brasileiro, Barnabé, um garoto de oito anos bastante ranzinza, mas possuidor de uma liderança natural, participava de aventuras divertidíssimas com seus amigos.

São eles: Ceci, sua namorada; Rodolfo, o menino da cidade; Chuji, o vizinho das hortas, dorminhoco e cientista; Hermão, o mais forte da turma; Sorriso, piadista e craque em futebol; Fessora, míope e distraída; Cilinha, a mãe de Sardinha, Hermão e Barnabé, cozinheira e parteira da região; Tio Jeca, caipirão, não gosta de coisas modernas; Nenê, tem um ano e é o irmão mais novo de Barnabé; Sardinha, gago, ansioso e assustado; Nhô Quité, irmão do Jeca, pão-duro, pescador e mentiroso; Giovanna, vaidosa e desajeitada, vive tentando conquistar o Barnabé.

As tiras eram criadas Vanderley Feliciano, que as fazia rafeadas e a maioria delas foi executada pelo desenhista Mingo (Domingos de Souza, 12 de maio de 1958 - São Paulo - SP). Os dois trabalhavam no estúdio Ely Barbosa. As tiras saíram na editora Sampa, em revistas infantis. Vanderley Feliciano foi o principal arte-finalista do estúdio Ely Barbosa, tendo trabalhos publicados em praticamente todas as revistas em quadrinhos do gênero infantil produzidas por esse estúdio durante as décadas de 1970 e de 1980. Excepcional arte-finalista e letrista Feliciano faleceu em 2000 em decorrência de uma diabetes.

Em 2003 Barnabé ganhou título próprio na coleção Graphic Talents nº 08 da editora Escala

Nessa 2ª fase as histórias eram de Franco de Rosa, João Costa e Genival, os desenhos eram de Edil Araújo, Wanderley Felipe e Mingo, a arte-final ficava por conta de João Costa e as letras por Wanderley Felipe (Wanderfel). As tiras eram criadas e desenhadas por Wanderley Felipe.

Esse material saiu em edições especiais do Manual do Manuel da editora Escala, acompanhadas de CDs e CD-ROM a partir de 2001, quando também ganhou um site na internet.

Nas palavras de Franco de Rosa: 

"O Barnabé fui eu mesmo quem criou, quis fazer um projeto em homenagem ao meu tio Wilson, mas que é um personagem que aparece uma vez só. Era uma história de um sítio onde o Wilson é o tio de uma turminha de crianças. Eu fiz esse projeto pra editora Sampa e foi a partir dessa história que eu fiz o roteiro todo rascunhado. O editor Carlos Casamata viu e me deu liberdade total, então eu fiz o que eu queria mesmo. Produzi o gibi inteiro. No número um quem ajudou em toda a produção foi o João Costa, ele é quem fez algumas histórias com o Mingo, que era do Ely Barbosa, e muitas das histórias foram escritas e criadas pelo Vanderlei Feliciano. Era ele que fazia as tiras em rascunho, ele fazia roteiros bem rascunhados e ele ele era letrista de várias histórias e pra vários desenhistas. 

O João Costa produziu o Barnabé números 1, 2 e 3. Eu tenho essas 3 edições prontinhas e todas desenhadas. Tenho os originais que vários artistas desenharam, e tem um artista que fez alguns quadrinhos eróticos pra mim, mas ele era mais desenhista de animação, que é o Edil Araújo 

Eu produzi e acompanhei toda essa produção, escrevi vários roteiros mas a história principal é da turminha, uma história maior que tem umas 12 ou 15 páginas, onde conto a história da turma, que tem um primo que é mais velho do que eles e um adulto que chega para fazer uma cobrança no sítio, é como se fosse um cobrador da Casas Bahia e quem protege o sítio é o o galo, um galo de briga da turma e a partir daí também tem um cachorro que é o Baduk. Baduk um cachorro que existiu e que era desse meu tio Wilson. 

Foi um trabalho que eu criei e a Sampa publicou muitas revistas de passatempos, revistas para colorir, bastante mesmo. Não foram só revistas simples com 16 páginas, como também alguns almanaques. Foram feitas tiras do Barnabé e o Vanderlei Felipe desenhou muitas das tiras escritas pelo Vanderlei Feliciano e também algumas que eu escrevi. Algumas o próprio Vanderlei Felipe fez, então foi uma produção muito grande naquele período, a partir de 1992. E o gibi do Barnabé colorido saiu pela Escala na coleção Graphic Talents. A edição estava pronta mas as histórias foram remontadas porque os gibis originais têm 4 tiras por páginas e na edição da Escala tem 3 tiras por página. A edição foi remontada e colorida pelo Vanderlei Felipe.

Algum tempo depois eu conheci o Barnabé, o humorista, (José Ferreira de Melo - 1949), que era o irmão do Barnabé original dos anos 60 (João Ferreira de Melo - 1932/1968).

Ele me ligou porque eu tinha feito uma revista de reportagem sobre caipiras com um CD-ROM do Nerso da Capitinga e nessa edição eu publiquei as histórias do Barnabé e o Barnabé humorista queria receber direitos autorais do Barnabé personagem, que era outra coisa, não tinha nada a ver com ele. Acabamos lançando mais 4 revistas Manual do Manoel com os dois juntos e acabaram saindo algumas histórias do Barnabé adulto, este sim baseado no humorista".


Acima, o Barnabé de Wanderley Felipe.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Rajá Cohllor - 1990

Terminado o governo do presidente José Sarney (1986-1990), o cartunista Novaes aposenta o personagem Sir Ney e passa a nos contar em forma de tiras diárias no jornal Folha da Tarde (SP) as aventuras do Rajá Cohllor, este baseado no sucessor de Sarney, Fernando Collor de Mello (1990-1992) que se elegeu com a plataforma de "Caçador de Marajás", em combate aos políticos e funcionários públicos do alto escalão com salários e privilégios estratosféricos. 

Em um governo turbulando marcado pelo confisco da caderneta de poupança da população e por escândalos financeiros e políticos Fernando Collor renunciou em 1992, revelando-se ele mesmo um autêntico marajá!

Para saber mais sobre Novaes clique aqui e aqui.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Pluft, o fantasminha - 1978

Pluft, o Fantasminha é uma peça teatral infantil escrita pela dramaturga brasileira Maria Clara Machado, em 1955. Retrata a história do rapto da menina Maribel pelo malvado pirata Perna-de-Pau. Maribel, escondida no sótão de uma velha casa, conhece uma família de fantasmas e faz amizade com Pluft, um fantasminha que tem medo de gente.

A peça foi encenada pela primeira vez no Teatro O Tablado, no Rio de Janeiro, em setembro de 1955, com direção da própria autora, pela qual recebeu o prêmio APCA.

Em 1978, graças aos esforços de Yvonne Amorim, da distribuidora ECAB, foram adquiridos os direitos de publicação em forma de páginas dominicais das aventuras do fantasminha.

Os desenhos ficaram a cargo de Mário Mastrotti e os roteiros por conta de César Silva, o Cerito. Ao todo foram realizados 22 capítulos distribuídos em jornais pelo Brasil afora.

Pluft já havia tido um título próprio em 1975 lançado pela editora Etcetera. Primeiramente semanal e posteriormente quinzenal trazia uma combinação de HQs, passatempos e pequenos contos infantis. A revista teve pelo menos 12 edições e segundo o expediente a própria Maria Clara Machado estava envolvida com a produção. A arte das histórias de Pluft é creditada apenas a Ivan e Mauro e depois apenas a Mauro, com texto de Ana Maria, sem mais informações sobre os autores.
Acima, Pluft na edição número doze da revista da editora Etcetera, de 1975. O fantasminha dividia seu espaço com histórias em quadrinhos europeias como Yoko Tsuno de Roger Leloup e M. Tillieux.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

LeãoZinho - 1993

Voltado ao público infantil, LeãoZinho foi criado pelo cartunista Geandré (Arlindo Rodrigues, 1951-2022) no início da década de 1990. Apresentado no formato de tiras e passatempos, LeãoZinho tinha todas as características para ser aproveitado também em produtos de licenciamento, no qual Geandré era consultor, tendo sido autor também do livro técnico Os Marketing Comics (editora Global, 1996).

"O personagem levou quatro anos para definir sua personalidade, forma gráfica e universo", declarou Geandré, e já saiu com alguns produtos lançados como confecção, brinquedos e adesivos.

LeãoZinho teve título próprio, um tabloide pela editora New Comics.

Para saber mais sobre Geandré clique aqui e aqui.

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Ed Roque - 1989

Ed Roque fazia parte da revista infanto-juvenil StarShow da editora Abril. A publicação, de 1989, trazia matérias e reportagens sobre ídolos jovens da música, moda e esporte. 

Ambientada no mundo musical Ed Roque fazia graça com os candidatos a futuros astros do rock e suas bandas de garagem. Foi idealizada por Salvador Messina, o criador do Ran, e pelo animador Wesllen. Os autores se conheceram na produção do programa Rá-Tim-Bum da TV Cultura, que estrearia em 1990, e emplacaram várias parcerias profissionais.

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Os Cavaleiros da Magia - 2005

Seguindo a linha dos Cavaleiros do Zodíaco, mas ambientada nos tempos dos Cavaleiros da Távola Redonda, a série Os Cavaleiros da Magia foi publicada na revista Anime Planet da editora Minuano, trazendo matérias e reportagens sobre mangás e animes. 

Com uma pegada bem mais debochada que sua inspiradora, Cavaleiros da Magia trazia roteiro e personagens do Franco de Rosa e desenho (lápis e arte-final) de Arthur Garcia.

O pesquisador Quim Thrussel localizou a mesma história publicada na revista de passatempos Jovens Cavaleiros da mesma editora em 2005 mas com esse outro nome e com créditos fictícios para: História - João Zola; Desenhos - Augusto Gância; Cores - Vitor Carvalho e colaboração de Miguel Marques.

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Hoé - 1975

Com um traço caligráfico na linha de Henfil e Paulo Paiva, o cartunista Carmo criou a série Hoé para ser publicada no Suplemento Quadrinhos da Folha de S. Paulo a partir de abril de 1975 e manteve regularidade até agosto de 1976. 

Com um desenho muito simplificado, mas com boas ideias, a série era protagonizada por cachorros, o principal deles, Hoé, sempre num palanque de caixotes distribuindo sua sabedoria. Hoé sempre teve histórias de uma página no formato horizontal. Em vários números do Suplemento, Hoé teve mais de uma história publicada, principalmente no final de sua participação no jornal. O nº 218, de 15/08/1976, o último em que Hoé foi publicado, teve 4 histórias da série. 

Com a perda do espaço Carmo, aparentemente, abandonou os quadrinhos.