sábado, 2 de junho de 2018

Zezo - Entrevista - 1984

Entrevista publicada no fanzine Quadrix nº 4, novembro de 1984.

A Técnica do Desenho - Editora Bentivegna

Nesse número entrevistamos José Rivelli Neto ou Zezo, um dos mais expressivos desenhistas do terror nacional das décadas de 1950 e início de 1960.

Além de histórias avulsas de cowboy, românticas, infantis e de terror, criou para a Ed. La Selva uma das melhores adaptações do clássico Frankenstein, criou também centenas de capas e HQs para a Ed. Outubro e para a própria Ed. La Selva.

No Jornal Juvenil, entre 1961 e 1962, além de ilustrações e capas, criou duas HQs: O Tubarão Voador (de aventuras no mar) e Rumo ao Infinito (aventura espacial).

Desenhou ainda para a distribuidora de tiras de Maurício de Sousa, em 1966, a história de espionagem chamada Dorinha da qual só fez 6 tiras, sendo completada por outro desenhista.

Em 1963 entrou na área de propaganda da Duratex, e hoje é o diretor desse setor. Na Duratex ilustrou a revista O Serrote, de informações técnicas, além de desenvolver o personagem Chico Minhoca (criado por Maurício para a mesma revista) e criou Mutuca e Bola Tudo (todos com roteiros do Dr. Zak).

Sua mais recente criação foi O Rino Boy, tira cômica que saiu em algumas edições da revista AED.

Trazemos então a entrevista com esse grande mestre José Rivelli Neto ou Zezo (que por sinal, é o unico na Duratex que é citado duas vezes na lista de ramais telefônicos, uma como José Rivelli Neto e outra como Zezo), que foi gravada em 17/04/84 e teve a participação do Franco de Rosa e do Worney Almeida de Souza (WAZ).

QUADRIX: Como começou seu contato com os quadrinhos e o desenho?

ZEZO: Como todo o desenhista, lendo as revistas de HQ que foi despertando uma vontade de fazer igual, e naquele tempo morava em Santos, não tinha ninguém que pudesse ensinar como era feito um quadrinho, e você tinha que aprender por si só, e sempre o caderno e os livros da escola cheios de desenhinhos, isso foi continuando, sempre desenhando para mim.

Começei a trabalhar em coisas totalmente diferentes, em uma firma de representação que trabalhava com madeiras, eu estava deslocado, os dias não passavam, e desenhando sem maiores consequências, até que finalmente por uma coincidência, um tio tinha casado pela segunda vez e um sobrinho dessa senhora tinha uma agência em São Paulo, e até que um dia me enchendo de coragen, e através dela, apresentei uns desenhinhos para este sobrinho, João Natale Neto, e a agência chamava-se Equipe Propaganda.

QUADRIX: Qual era a sua idade?

ZEZO: Tinha uns 22 ou 23 anos, já tinha uma vida praticamente formada, quando decidi dar uma quinada, saí de Santos e vim para São Paulo, então comecei a trabalhar nessa agência em 1953, em 1954 fiquei em Santos cuidando de meu pai, que acabou falecendo em outubro, nesse meio tempo o estúdio se desmembrou da empresa, e se fundou o Inter- Estúdio, nele comecei realmente a trabalhar, entrando na propaganda, e conhecendo na prática, trabalhando como free-lancer, e sempre com um gosto latente pelos quadrinhos.

No próprio estúdio eu fiz uma HQ e apresentei na La Selva em 1955 e foi aceita, e nessa entrada na La Selva começei fazer as HQs e também as capas.

Revista Frankenstein nº 10 - editora La Selva - 1961

QUADRIX: Como foi o contato com a La Selva?

ZEZO: Eu levei a primeira vez, A Técnica do Desenho - Editora Bentivegna conversamos e compraramn a história, e por causa daquela lei contra as HQs nos EUA, especialmente contra o terror, é que deu chance a uma geração de brasileiros, se não fosse a proibição a editora não ia comprar, por que eles vinham publicando e republicando dezenas de vezes, mas o material começou a escassear e pegavam o que aparecesse, bons, médios e maus.

QUADRIX: A La Selva já tinha uma equipe de colaboradores?

ZEZO: Já tinha Jayme Cortez, Miguel Penteado, Aylthon Thomaz, Igayara, Queiroz, Gedeone e uma série de pessoas e alguns só faziam quadrinhos, como o Maurício de Souza. Depois houve a oportunidade da revista Frankenstein.

QUADRIX: Existia algum filme na época, alguma coisa para se basear nessa criação?

ZEZO: Nada, nada, tinha um pré-roteiro, na verdade uma sinopse bem resumida, porque eu gostava de ter liberdade para desenvolver a história.

QUADRIX: Antes do Frankenstein já havia se dedicado a algum personagem?

ZEZO: Não, só HQs avulsas de comboy, românticas, infantis, mas especialmente de terror, uma média de 70%.

QUADRIX: Quanto tempo durou o Frankenstein?

ZEZO: Um ano, 12 números.

QUADRIX: Por que parou?

ZEZO: Problema interno da editora e resolveram terminar com a revista.

QUADRIX: A HQ do Frankenstein tinha uma ambientação numa época precisa, Alemanha no final do século 19...

ZEZO: especialmente Bavária.

QUADRIX: Chegou a pesquisar casas, uniformes?

ZEZO: Eu sempre me preocupei com uniformes e a arquitetura, eram mais ou menos baseados na época.

QUADRIX: Diferente de outras adaptações do Frankenstein, brasileiras ou americanas, o seu Frankenstein era onipresente, geralmente encerrava história, era o fator determinante, como conseguiu
esse desenvolvimento?

ZEZO: Na verdade foi instintivo, eu sentia desta maneira e passava para o papel, o tipo de ambientação me agradava, o tema era bom, e ele não era um monstro mau, era um produto, foi pena ter terminado.

QUADRIX: Como era o processo de criação das capas, fazia com modelos?

ZEZO: Não, nunca fiz com modelos, meu traço era solto, imaginava, enquadrava, traçava o lay-out e baseado na história criava uma capa.

QUADRIX: Sempre tinha a história como referencial?

ZEZO: 99%, cheguei a fazer capas que não tinham nada a ver com a história, só com alguns elementos de uma capa de terror.

Rumo ao Infinito - Folhinha de S. Paulo - 1965

QUADRIX: Você também trabalhou para a Ed. Outubro, o que ela representou para a HQ nacional?

ZEZO: Quando a La Selva diminuio o ritmo, trabalhei também para a Outubro, que era mais uma editora e mais alguns títulos, e mais um campo muito bom para trabalhar.

QUADRIX: Então realmente existia um campo de trabalho?

ZEZO: Não dava para ficar rico, mas dava para sobreviver.

QUADRIX: Qual era o nº de profissionais?

ZEZO: Mais ou menos uns 30.

QUADRIX: Tinha alguma disputa de preços de páginas entre as editoras?

ZEZO: Não, porque evidente que os editores deveriam combinar o preço.

QUADRIX: O preço era razoável?

ZEZO: Já tinha sido muito bom, por exemplo, com uma capa de revista se comprava uma motocicleta em 1950, mas no meu tempo com uma capa você já não fazia esse tipo de coisa, mas com 10 capas e 3 ou 4 HQs você canseguia viver, era 500 ou 800 cruzeiros por página, e 150 para uma capa, dava em média 15 mil cruzeiros por mês, 20 mil se fosse uma máquina.

QUADRIX: Qual era a produção mensal por página dos desenhistas?

ZEZO: De 20 a 30 páginas.

O Tubarão Voador - Jornal Juvenil - 1962

QUADRIX: Na Ed. Outubro os desenhistas se encontravam, trocavam idéias?

ZEZO: Como eu disse era mais um campo de trabalho, aumentava o faturamento, e na realidade não se encontravam, mas na data de entrega dos trabalhos, era o melhor dia para mim, porque era o dia que você terminava aquela luta contra o papel branco, juntava as capas e HQs e dava uma certa satisfação ver a produção acabada.

propaganda é muito dia a dia, quadrinhos têm vida, aí você conclui a produção do mês, leva aquele misto de orgulho para o editor, e encontra outro desenhista que fez o mesmo e ali se conversava, trocava-se ideias.

QUADRIX: Você chegou a trabalhar como arte-finalista?

ZEZO: Não, fazia tudo, só entregava sem as letras, eu já deixava o balão marcado, já sabia o que o personagem estava dizendo, dificilmente não dava espaço, e o desenho não sofria retoques.

QUADRIX: Sempre achei você o desenhista mais dinâmico da fase do terror, trabalhava com preto e branco, não repetia ângulos, como conseguiu esse desenvolvimento?

ZEZO: Estudando, olhando, sentindo, com Alex Raymond, Milton Caniff, e procurava extrair o máximo deles.

QUADRIX: Fazia estudos sobre o trabalho de Alex Raymond?

ZEZO: Não, eu jamais peguei um quadrinho de Raymond pus na frente e fiz igual, eu olhava, olhava e depois fazia outra coisa com imaginação.

QUADRIX: Quantas capas chegou a desenhar?

ZEZO: Dez por mês, umas 100 por ano, creio que fiz umas 300 capas naquele período.

QUADRIX: A última editora (que trabalhou) foi a Outubro, chegou a recuperar alguma história, algum original?

ZEZO: Alguma coisa, fiquei com muita prova de fotolito de capas, e no outro jornal em que trabalhei, o Jornal Juvenil, entre 1960 e 1962, fiquei com muitos originais.

QUADRIX: Tinha algum personagem?

ZEZO: Tinha um personagem chamado Tubarão Voador, era uma história de aventuras, minha criação.

QUADRIX: Chegou a fazer HQ colorida?

ZEZO: Só aqui da Duratex.

QUADRIX: Queria que falasse de sua segunda fase profissional na Duratex.

Tiras do personagem Rino Boy.

ZEZO: Entrei em 1963 na Duratex na área de propaganda, fazendo folhetos, cadernos de instrução técnica. Durante alguns anos fizemos uma revista chamada O Serrote, totalmente ilustrada, dando dicas sobre marcenaria e carpintaria, na verdade foi uma precursora das que existem hoje, de hooby e lazer. Ensinava como pregar, o nome das peças, ferramentas, tudo isso ilustrado, e tinha alguns personagens, um deles era Chico Minhoca, um caipirinha, tipo Chico Bento, feito pelo Maurício de Souza, que depois eu desenvolvi. 

Chico contava coisas sobre o produto, sempre de forma cômica. Um outro personagem era o Bola Tudo, um camarada que sempre ajudava o patrão numa dificuldade, e inventava alguma coisa usando nosso produto, outro personagem era o Mutuca, que era companheiro do Chico Minhoca. Os três acabaram tendo uma edição especial, colorida, chamada “2 Batutas no Serrote”, que também mostrava o uso do produto.

A revista terminou numa determinada época, e mais tarde a Associação dos Empregados da Duratex, criou a revista da AED, e de vez em quando, conforme o tempo permitia, fazia algumas tirinhas. Usava um personagem inventado de brincadeira chamado Rino Boy, usando o nome Rino da marca do rinoceronte (que é o simbolo da Duratex), e o Boy satirizando os super-herois, sairam em alguns números, depois a falta de tempo impediu uma continuidade.

Hoje estou na parte administrativa, mas continuo acompanhando o quadrinho.

2 Batutas no Serrote - Revista O Serrote, Duratex.

sábado, 26 de maio de 2018

Dorinha - Última Hora - 1966


A série Dorinha foi publicada entre 1966 e 1967 no jornal Última Hora de São Paulo e fazia parte do lote de tiras distribuídas pela Maurício de Sousa Produções para esse veículo. 

É uma aventura policial sobre um golpe aplicado às custas de um colar falsificado, envolvendo três pilantras: Danilo, o suposto amante de Dorinha, Cristovão, um joalheiro desonesto e Cristal, um arrombador amigo de Danilo. Dorinha aparece apenas como pivô de toda a trama.


As 6 primeiras tiras foram desenhadas por Zezo (José Rivelli Netoe as seguintes não têm assinatura, mas pode-se perceber o traço de Benedito Aparecido da Silva, o ‘Apa’ e também de Paulo Ernesto Nesti, desenhistas que trabalhavam nos estúdios de Maurício nessa época.

Apa é mais conhecido por ser um dos criadores do Homem-Fera para a editora Graúna, mas foi bem atuante na décade de 1960.

Paulo Ernesto Nesti é pai do ilustrador Fido Nesti e após prestar serviços para a Maurício de Sousa Produções, foi ilustrador da série de livros do Sítio do Picapau Amarelo para a editora Brasiliense nas edições publicadas entre 1968 e 1970. Entre 1975 e 1978, foi diretor de arte na Spot, agência de propaganda. Tem obras no acervo do Museu Casa da Xilogravura de Campos do Jordão.

Acima desenhos de Apa na publicação FTD Revista, 1967. 

Ilustrações de Paulo Ernesto para o livro “Viagem ao Céu” de Monteiro Lobato. 


Abaixo, matéria de apresentação das novas tiras publicada no sábado anterior à estreia:


10 heróis em Última Hora, diariamente em histórias vibrantes! 

"A partir de 2ª feira próxima, 12 de dezembro (1966), UH apresentará mais uma novidade para os seus leitores. 

Pela primeira vez 10 histórias em quadrinhos totalmente escritas e desenhadas no Brasil. Trata-se de uma série toda de historietas criadas por alguns dos melhores artistas brasileiros, entre os quais, Getulio Delphim, Vilmar, Osvaldo Talo, Álvarez e Maurício. 

Diariamente vocês vibrarão com as emocionantes aventuras dos “Comandos”, em espetaculares histórias de guerra; para os amantes da ficção científica, foi criada a serie “Ficção”, vibrante e atual; a sátira tambem está presente na série “Caixa Alta”, que vai contar comicamente o que vai “pela alta”; o “Doutor” é outra criação cômica especial; “Caramuru” será uma empolgante história de aventuras; “Dorinha” contará as aventuras e desventuras de uma jovem atirada na voragem de uma vida que ela não entende; uma detetive de saias, “Paula” é outra das atrações diárias; “Verso e reverso” virá em seguida, como nova bossa no campo da historieta; Miguel “Rei”, o motorista, será uma história de aventuras que prenderá atenção... e finalmente, teremos também o MUG, em interessantes e divertidas peripécias na sua primeira história em quadrinhos". 

terça-feira, 22 de maio de 2018

Michele - revista Intervalo - 1970


A revista Intervalo, da editora Abril, surgiu em 1965 apostando na popularização da TV no Brasil. Era apresentada em formatinho, nos moldes da TV Guide norte-americana e, além da programação dos canais, trazia semanalmente também matérias sobre os astros da telinha e da música.


A partir de 1970 dobrou seu formato, para um tamanho próximo da revista Realidade, e abriu espaço para o cartunista Michele (pronuncia-se Miquéle) Iacocca, que nesse período fazia parte da redação da revista, criar sua tira semanal sobre televisão. 

A série não tinha nome, nem seus personagens, mas era composta basicamente por um espectador interagindo com seu aparelho de TV.


Com um traço bastante influenciado pelo do cartunista argentino Copi (Raul Damonte Botana, Buenos Aires, 1939 - Paris, 1987), e dono de uma criatividade inesgotável, Michele conseguia fazer humor sutil com essa situação tão corriqueira.

A revista Intervalo durou até 1972.

Sobre o autor, a Antologia Brasileira de Humor - Volume 2 (L&PM, 1976) registra: "MICHELE IACOCCA nasceu em 19 de outubro de 1942, em S. Marco Del Cavoti, Itália. Iniciou como profissional em 1969, em São Paulo onde reside. Foi colaborador de diversas revistas do país. Atualmente é colaborador da revista Veja e Exame. É autor do livro Eva".


No site da editora Global, achamos a seguinte biografia: 

"Nasceu na Itália, tem formação em Artes Plásticas, veio jovem para o Brasil e aqui fincou suas raízes. Chargista, cartunista, tradutor, escritor, foi durante anos diretor de arte de agências de publicidade e editoras. Publicou seus trabalhos nos principais jornais e revistas do país. Autor e ilustrador de mais de uma centena de livros, entre eles os premiados Eva, Vacamundi, O que fazer?, Doente imaginário, Primeiro amor e As aventuras de Bambolina. Tradutor de obras de escritores famosos como Gianni Rodari e Umberto Eco, ganhou, por traduções, o Prêmio APCA – Associação Paulista de Críticos de Arte".

sábado, 12 de maio de 2018

Igayara - Entrevista - 1991

Peninha - revista Bidu - editora Continental - 1960

A entrevista a seguir foi realizada pelo pesquisador Worney Almeida de Souza (WAZ) em 1991 e transcrita pelo editor deste blog. Realizada na escola-estúdio do desenhista Waldir Igayara, permanecendo inédita até agora. 

Aproveitem!

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Worney: Como é que era o esquema na (editora) Continental?

Igayara: O (Jayme) Cortez era o grande mestre. A parte de arte era a parte onde ele estava. Ele é que recebia todas as histórias de todos os artistas, ele que comentava, ele que batia papo, ele que fazia todas as capas das revistas. Ele fazia tanta capa de revista, o Cortez, que algumas ele assinava Miguel Penteado. Tem capa do Cortez assinada M. Penteado que são do Cortez, isso eu vi ele assinando. Digamos assim, só o Cortez desenhou todas as capas. E ele fotografava modelo etc, e ele executava capa, de vez em quando você via ele fazendo um cartaz para o Mazzaropi, o Mazzaropi tava circulando por lá sempre... Tinha revista também do Mazzaropi. 

Sei lá, o Cortez era um cara metido em arte... claro que ele tinha também umas preocupações de empresário, porque ele era um dos sócios da Continental. Era ele, o Miguel Penteado, depois o José Sidekerskis, que hoje também tem uma editora própria. Eram os três...

W: O famoso Zelão!

Igayara: Zelão! 

W: Quer dizer que na verdade, as pessoas fixas da editora, eram o Cortez e mais algumas pessoas? O resto do pessoal era tudo colaborador?

Igayara: Colaborador, inclusive o Cláudio de Souza, que depois eu iria encontrar na Abril, um homem da Abril, trabalhou na Abril 30 anos, também participava, criava histórias etc, e tinha algum interesse também na editora Continental. Havia também o Eli Lacerda, sei lá, deviam ser sócios minoritários, tinha muita coisa.

W: Você trabalhava em casa?

Igayara: Trabalhava em casa e depois no escritório que eu aluguei no Martinelli por uns 4 anos, junto com Lyrio Aragão, com Júlio Shimamoto e Luiz Saindenberg.


W: Quando foi isso?

Igayara: Isto foi ali por 60, 61. Quando entrei na Abril nós já tínhamos o escritório alugado.

W: Aí você continuou desenvolvendo trabalhos mesmo trabalhando na Abril?

Igayara: Exato. De vez em quando passava no escritório, fiquei até o fim, participando com o pessoal do escritório. Naquele tempo também o (presidente) Jânio ia nacionalizar os quadrinhos, aquela mesma lei que depois voltaria. E o escritório acabou virando uma espécie de sindicato. Eles marcavam reunião lá dentro, aí vinha o Cortez, o Penteado, tudo quanto é desenhista, enchia de gente. Então o escritório, que era aquele refúgio nosso, de repente a gente tinha que voltar pra casa porque o escritório virou uma espécie de sindicato, não é? 

E tinha aquele jornal, o Correio Paulistano, que era até dirigido por um dos irmãos do Ely Barbosa, era um jornalista, tem o Benedito Ruy Barbosa, irmão dele, mas esse outro irmão, que era jornalista, era outro irmão, fazia cobertura em termos de lei nacional, quase que diária. Em primeira página! Então foi um negócio meio efervescente, aquela campanha. Daí o Jânio renunciou e foi pra cucuia todo o sonho, e a lei também!

Zeca e Peteca - revista Bidu - editora Continental - 1961

W: Só pra terminar essa fase. Você começou a desenvolver alguns personagens que acabaram não saindo, nunca foram publicados. Você tem esse material ainda? 

Igayara: Não. Quando houve uma liquidação do material acervo da editora, muita gente soube e foi lá buscar o seu. Eu fui um dos que não souberam e não apareceram. Sei que tem muita gente e tal... O próprio Gedeone, pela exposição que eu vi em Jundiaí, botou originais meus dessa época, mas eu não tenho nada. Tem uma história em tirinhas do Peninha, mas nenhuma página inteira do Peninha, que foi o personagem que eu mais super produzi pra Continental naquele tempo. Não fiquei com nada... 

W: Mas nem revistas, assim no caso, você teria?

Igayara: Revista tenho um pouco mais do que isso que eu trouxe pra você, tenho um pacote. Se vasculhar bem talvez tenha até alguma coisa do terror que eu fiz, não tenho certeza.

W: Mas de material infantil você não teria todo o que você fez?

Igayara: Não tenho, não tenho material. Talvez o Gedeone tenha.

W: Mas o Gedeone começou a vender tudo...

Igayara: Ah, é? Eu soube que ele andou rifando muita coisa também. É uma pena, mas eu tenho pouco material dessa época. Eu não guardei, infelizmente. Não havia ainda aquele espírito de  conservação. Hoje todo desenhista zela pelo material. Ele tem obrigação ter o material retornado e deve ser a guarda dele. Nos Estados Unidos o comércio desse material é um negócio de altíssimo lucro. E ele vieram descobrir agora que eles podem vender uma tirinha por $200, o original, eles vendem os originais. Aquele Museu que tem lá ajuda o pessoal a comercializar isso. Tem um valor inestimável! Há grandes brigas na Marvel e na DC Comics pelo retorno do material. Às vezes a editora quer ficar com o material dos caras! 

W: Tem o Jack Kirby...

Igayara: Foi uma briga dessas, fantástica! Então, quer dizer, naquele tempo a gente não pensava muito nisso, que isso poderia ter um valor até histórico...

Igayara em Historinhas Semanais, editora Abril, 1962.

Worney: Na verdade, eu queria para finalizar essa parte dos quadrinhos da Outubro pra cá, você tem algum projeto, além da escola ou com a escola, tem algum projeto pra quadrinhos?

Igayara: Tenho, a escola não me absorve a semana inteira, me sobram alguns dias, a segunda-feira inteira, a terça de manhã, na quinta-feira de manhã e de tarde eu tô livre para minhas coisas, fora o fim de semana, eu tenho usado o fim de semana regularmente todos os meses, não é, também para fazer minhas minhas obras. Primeiro, que eu gosto de escrever continhos também, sou apaixonado por escrever continhos infantis, tenho lá duas dúzias prontos já, inéditos, que eu queria também ilustrar, estou esperando um tempo, que a feitura do material da escola me absorveu muito, então eu tô esperando um tempo, já tô começando, não só essa obra de livros e de quadrinhos também. Em quadrinhos eu tenho uma turma nova que questiona coisas bem atuais do universo da criança, até um robô pelo meio chamado Ovídeo, eu registrei em 1982, que o pessoal aqui gosta de desenhar. Ovídeo é uma unidade eletrônica, defende o mundo das máquinas e quer ser humano como as crianças, as crianças não suportam o Ovídeo, mas ele é todo poderoso, ele pode jogar bola melhor que os outros, ele é todo incrementado. 

Há um ser invisível, extraterreno, no meio, que foi localizado pelo próprio Ovídeo e há uma turminha, uma gama de garotos. Há a Luciana que estraçalha história, briga com o leitor, com o próprio escritor e diz: Nessa história de príncipe encantado eu não trabalho! E para duas páginas de braços cruzados e ela enrola a página de quadrinhos, chuta pra fora, e ela estraçalha tudo, e ela se mete muito com o Ovídeo e quebra tudo, só porque ela ela defende a vida livre. Apesar dela dela contestar muitas as histórias, mas o Ouvídeo diz que as máquinas vão dominar o mundo, e que todo mundo deveria estar assistindo televisão, vendo a novela e não vendo essas bobagens de livros. Através disso eu faço toda uma análise, e uma vivência, um troço bem humorado, a respeito desse universo de ocupação da criança, ou seja, o problema da literatura, o problema do avanço da televisão, dos meios eletrônicos etc, da criança como lazer... 

W: A Luciana, ela teria uns seis anos?

Igayara: Ela teria uns oito anos. Então, eu estou esperando criar esta turma, que chamaria Os Pererecas, provisoriamente, uma coisa bastante revolucionária... Bastante revolucionária é muita pretensão minha, deixa eu reformular, uma coisa um pouco original em termos de sair dessas histórias comuns.

W: Esse material você tá bolando ainda?

Igayara: Esse material tá todo estruturado, tenho 20 histórias escritas, prontas. Eu só sou um cara assim meio perfeccionista, lá em casa eles me chamam de "o rei do modelsheet", porque na hora que o negócio tá pronto,  já tenho as primeiras histórias executadas, eu cismo que alguma coisa não tá bem, então eu começo a fazer um novo modelsheet, altero a figura e tudo que eu fiz fica invalidado, então agora cheguei a um ponto, porque tendo a escola eu checo meu material, então há uma última versão dessa turminha com um design bem diferente, porque eu também fui um pouco preso à Disney, não esqueça disso, não é, então meu desenho tem aquela tendência extremamente redonda e tal, que agora eu consegui, nesse modelsheet, deixar de lado, não que seja ruim, mas eu não quero fazer daquela forma, eu quero um negócio um pouco mais um pouco macio, um pouco mais nervoso, pro lado um pouco de Stefi, você não conhece Stefi, da Grazia Nidasio, uma italiana? É um material fantástico, muito macio, muito legal, muito gostoso, muito movimentado. Eu quero ir um pouco por aí, um pouco, por exemplo, do lado de Calvin. 
Stefi, por Grazia Nidasio.

O Watterson quando fez Calvin eu me penitenciei, eu falei: Eu não desenho por vinte dias de castigo, porque eu sou um medíocre! Esse Calvin é a coisa que eu queria ter inventado na vida, no paralelo, porque ele é um pouco baseado em Schultz, você sente,  baseado um pouco em Walt Kelly, um dissidente Disney que fez o Pogo, uma obra fantástica, norte-americana, não apareceu muito no Brasil, só mais na Linus. Então o que houve, o Watterson baseado um nesses dois, criou um negócio fantástico, o universo daquele tigre inanimado e vivo na presença do garoto, e a piadas são de um nível espetacular. Eu morro de rir cada vez que releio o Calvin, então, eu queria fazer um material assim, nessa linha, que desse um impacto, que provocasse. Eu tô tentando isso, se vou conseguir não sei, mas eu não vou desistir nunca, vou correr atrás. 

Florisvaldo, o vagabundo, 1979.

Eu tô com isso e tenho Florisvaldo, que era aquele vagabundo, que era um pouco de contestação, que eu tô tentando retomar. Tenho os bichinhos, que eu gosto muito, eu tenho uma turma de bichinhos também, que é a Nina, Bonifácio, Felisberto, alguns que saíram em Recreio, em Alegria, é uma turminha que eu mantive e ampliei com alguns bichinhos nacionais, além da tartaruga, tem um tatu, tem uma capivara pelo meio, tem uns bichinhos brasileiros e está saindo um negocinho muito gostoso.

W: Agora a ideia de todo esse material é trabalhar... o Ovídeo você falou que fez em 82? Você chegou a publicar?

Igayara: Não cheguei a publicar, eu registrei lá na faculdade de belas-artes, me garanti por todos os lados, eu achava uma boa jogada como personagem, a turminha dele foi ficando muito gostosa, as histórias saem fácil, pela descrição da personalidade então, esse é um bom sintoma, você não sofre pra fazer uma história, sobram ideias. E o Ovídeo vai dar muito samba, porque ele é uma unidade toda poderosa, então, ele pode desligar semáforos, interferir em um computador, ele pode ser televisor e as crianças ficarem assistindo a ele próprio até a hora que quiserem, ele pode fazer lição pras crianças, claro, porque ele quer cativar por um lado, porque ele quer entrar no futebol, porque ele gosta de futebol, ele é apaixonado por uma das menininhas, veja, tem até essas incoerências assim. Quer dizer é um negócio absolutamente divertido, ele pode soltar raio laser, criar campo de força, gravitar, ele faz tudo!

Revista Crás - editora Abril - 1974

W: A ideia desse material é você trabalhar com o pessoal escola também? 

Igayara: Também com o pessoal da escola. Pegar uns assistentes e tocar o barco também com o pessoal da escola. A ideia é realmente essa.

W: É, porque, por exemplo, teve o material do César Sandoval. E a (editora) Globo arriscou e deu certo...

Igayara: Pois é, tem os monstrinhos dele, a Turma do Arrepio. Bem desenhadinho, muito bem feito por sinal!

W: O caminho podia ser esse também, trabalhar com a perspectiva de publicação desse material em uma revista própria...

Igayara: Exatamente, a minha ideia é essa! E que quando fala em revista própria, eu sou muito adepto também das revistas mistas, como têm os europeus, a Pilote, Circus, Corriere dei Piccolli, tem um monte! Que apresenta, de modo coerente, um extrato de histórias, universos compatíveis pra uma determinada faixa, e que apresentam histórias misturadas... alguns... como até os mais fortes, os Moebius da vida, publicam em capítulos depois reúnem em álbum, na Europa a jogada é feita mais ou menos assim, né, eu sou muito fã de revista, mas ninguém acreditou nesse tipo de revista neste país, nem consegui convencer Abril, e outro dia batendo um papo com um pessoal da Globo, também eles não tão Interessados em fazer revista mista, então, eu acho que só resta o caminho da revista individual e ela é mais difícil, porque daí ela tem que ter o peso realmente forte pra poder vingar.

W: Pra poder completar também com merchandising. Nada sai sem merchandising...

Igayara: É isso!


Igayara no tabloide O Governador, 1953.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Florisvaldo, o vagabundo - Última Hora - 1965


Em seu livro O Mundo dos Quadrinhos de 1977, editora Símbolo, Ionaldo Cavalcanti escreveu: “Criação de Waldyr Igayara de Souza de 1965, esta série humorística era publicada em tiras diárias pelo jornal Última Hora, de São Paulo, entre os anos de 1965 e 1966.

Dentro daquele espírito engraçado que o caracterizava, o vagabundo Florisvaldo junto com outros elementos de sua condição social, preferia dormir na companhia de um cão rabujento num pé de escada, onde a amizade é sincera e sem maldade".
Anúncio promovendo a estreia da tira. À direita, Igayara apresenta seu novo personagem.

Florisvaldo estreou nas páginas do jornal Última Hora em agosto de 1965. Por ocasião do seu lançamento foi publicado em 30/07 o seguinte texto: "José Alberto Florisvaldo da Cunha Albuquerque e Nascimento Moreira Ferreira da Silva, talvez seja o seu nome. Mantém segredo e, por isso, todos o chamam (como o resto o chamará, daqui por diante), de Florisvaldo, simplesmente. Vai estar por aqui, pelas colunas do ÚLTIMA HORA, com a constância dos puros: todos os dias, a partir de amanhã. Foi criado pra isso. Tem um objetivo: viver e deixar viver. Não quer pisar no calo de ninguém - e faz uma força danada, pra que ninguém lhe pise no pé, também. Tem uma alma viva de flores e vivaldice, vive e sente os problemas da época, apesar de não ter muita consciência disso. Vai levando - eis a verdade.


O criador de Florisvaldo é Waldir Igayara, artista de alma leve, moça e brasileira, que desde os 17 anos de idade está apaixonado pela visão do papel branco, que lhe dá oportunidade de corporificar ideias. Em 1961, quando começou o movimento brasileiro de histórias em quadrinhos, lançou vários personagens: Peninha, o menino-índio, era um deles. Depois, passou a se dedicar à ilustração de histórias infantis e, nas horas vagas, para se deleitar foi melhorando uma inspiração velha. E de melhora em melhora, um dia espiou: - Inventei o Florisvaldo - pensou. 

E era verdade. A sua arte, o leitor vai ver como é. E, através dela, vai ver como é o Florisvaldo. O leitor não se impaciente: Florisvaldo vem aí, com amor e ironia. A partir de amanhã, na página 3, do 2º caderno". 

Em depoimento a Fernando Ventura, Igayara declarou: “O Florisvaldo nasceu com as exceções que eu não poderia usar em Disney, um vagabundo com toda liberdade, que tomava pinga, dormia no banco de jardim, era preso, malandro por natureza; e por dois anos fiz mais de quinhentas piadas desse vagabundo em tirinhas fechadas, com um, dois, três quadros pra contar a minha piada. 

Foi um sucesso, embora não tivesse dado um resultado financeiro muito grande”.

Florisvaldo foi reformulado em 1979 para participar do Projeto Tiras, da editora Abril. Para conhecer essa fase clique aqui.

Sobre o autor podemos ler na Wikipedia: ""Waldyr Igayara de Souza, ilustrador e cartunista brasileiro. Foi juntamente com Jorge Kato, um dos primeiros desenhistas brasileiros a criar e ilustrar histórias Disney para o estúdio de histórias em quadrinhos criado pela editora Abril no final dos anos 60.

Igayara foi editor chefe na editora Abril por 25 anos, desenhando personagens como Zé Carioca, Peninha e seu sobrinho Biquinho, que ele próprio criou, e trabalhando ao lado de artistas como Ivan Saidenberg, Renato Canini, Oscar Kern entre outros. 

Também criou, em 1980, o personagem Paulistinha e sua turma, para um álbum de figurinhas promocional da Secretaria da Fazenda Estadual de São Paulo. 


Mais tarde iniciou sua própria escola de arte e também ilustrou livros infantis".

Ainda segundo Ventura "a convite de um parente, Igayara se afasta da Abril temporariamente para trabalhar na Celmar, empresa do ramo de móveis, quando também publica no jornal Última Hora (São Paulo) as tiras de seu personagem Florisvaldo (1965-1966), o vagabundo". 

Ventura continua: "Ainda em 1961, o paulistano Waldyr Igayara de Souza (1934-2002) ingressa na editora (Abril) e se torna assistente de Kato na produção Disney. O desenhista acumulava experiência como cartazista e funcionário público, tendo trabalhado na Secretaria de Segurança Pública no setor de mapas e posteriormente como investigador. 

Igayara em O Governador - 1953

A partir de 1953, publicou cartuns no tabloide O Governador e na revista Seleções Humorísticas, editadas por Laio Martins Filho, que também publicava seu parceiro Lyrio Aragão Dias (1933-1968). Entre 1957 e 1960, estudou desenho e aquarela com o professor João Rossi (1923-2000), na Associação Paulista de Belas Artes. 

Sob orientação de Jaime (Jayme) Cortez Martins (1926-1997) e Messias de Mello (1904-1994), desenhou, entre 1958 e 1960, HQs para os títulos infantis da Editora Outubropara os quais criou personagens como o Índio Peninha, Teodoro & Orelhinhas e Zeca & Peteca
Igayara em Histórias do Além - editora Outubro - 1965

Na época, o autor dividia com os amigos Lyrio, Júlio Shimamoto (Boborema, 1939) e Luiz Simões Saindenberg (Piracicaba, 1940) uma sala no edifício Martinelli, onde produziam o material para a editora. Igayara discorre sobre o período: 

“Eu cheguei à Abril por absoluta necessidade. Eu trabalhava para Jayme Cortez em revistas brasileiras e, naqueles tempos, terror e infantis tinham grande sucesso nessas editoras ditas menores. Com Cortez eu tive a oportunidade de, com mais cinquenta outros grandes cobras do futuro, fazer HQs com personagens próprios – e a coisa ia bem até que me casei. Saí de lua de mel, em Poços de Calda, como todo desenhista pobre, e na volta todas as revistas estavam fechadas.

Igayara em Historinhas Semanais - editora Abril - 1964

Eu tinha outro emprego que me garantia o aluguel do apartamento, mas eu não tinha dinheiro para fazer coisa nenhuma. Eu tinha de fazer um monte de visitas aos amigos, aos parentes e ao meu próprio sogro para poder comer. 

Nessas alturas eu tinha contato com Cláudio de Sousa, que, embora fosse diretor da Abril era também um colaborador de Cortez. Eu fui falar com ele, que então me encaminhou para o setor de revistas em quadrinhos, que era comandado por uma mulher chamada Kira Siliverstoff. Lá trabalhava o Jorge Kato, de quem fui ser assistente. Para entrar eu fiz um teste, desenhando uma página de Vovó Donalda e Gansolino; escolheram personagens estranhos para mim, poderiam ter dado o Zé Carioca logo de cara, teria sido mais fácil. Com esta página eu entrei na Abril (...) e comecei a desenhar histórias do Zé Carioca junto com o Jorge Kato – a primeira das quais foi O Pandeiro Mágico, que foi o próprio Cláudio de Sousa quem escreveu”.


No blog sobre o autor, encontramos a seguinte biografia:

  • 1957-1960 - Aluno do Prof. João Rossi na Associação Paulista de Belas Artes (desenho e aquarela). 
  • 1958-1960 - Colaborador de Jayme Cortez na criação de quadrinhos nacionais. 
  • 1961-1965 - Desenhista Disney dos estúdios Disney na editora Abril. 
  • 1964-1965 - Criador do personagem Florisvaldo, o vagabundo, publicado no Jornal Última Hora. 500 tiras (mais exatamente 418) publicadas, posteriormente republicadas (na verdade reelaboradas) pela Abril em convênio com diversos jornais (Projeto Tiras - 1979). (As tiras originais de Florisvaldo foram republicadas por breve período no jornal A Tribuna, de Santos, em 1968). 
  • 1969-1989 - Diretor Editorial da Abril Jovem - Publicações Infanto-juvenis (revistas em quadrinhos, revistas de atividades e livros). 
  • 1969-1989 - Diretor do Centro de Criação de Quadrinhos da Abril. 
  • 1969 - Criação da Revista Recreio. 
  • 1978-1988 - Visitas frequentes aos estúdios Disney, Hanna & Barbera, Corrieri dei Piccoli, Snoopy Place, entre outras editoras e produtoras. 
  • 1982 - Criador da Revista Alegria e de seu personagem principal, o palhaço Alegria. 
  • 1990-2002 - Diretor e professor do Estúdio e Escola de Arte Igayara, em São Paulo. 
  • 1991 - Consultor Editorial da Ayrton Senna Promoções, para a Revista do Senninha. 
  • 1992 - Prêmio Ângelo Agostini de Mestre dos Quadrinhos pela AQC.