sexta-feira, 19 de maio de 2017
Agente Ômega - Notícias Populares - 1984
Agente Ômega é uma série de ação contando as aventuras da espiã Denise.
Criada pelo prolífico desenhista Roger (Rogério Silva dos Reis), autor que foi muito ativo na década de 1980 no jornal Notícias Populares.
domingo, 14 de maio de 2017
Amores Célebres - Notícias Populares - 1970
Amores Célebres foi uma tira diária publicada pelo jornal Notícias Populares em 1970. Na linha de várias outras séries similares, nacionais ou estrangeiras, como Amores Históricos de Rodolfo Zalla, a tira se propõe a romancear fatos da história brasileira ou universal.
O autor, Carlos Dulci, reinou absoluto no jornal NP durante toda a segunda metade dos anos 1960 e início de 1970, publicando ilustrações, charges e diversas tiras dos mais variados assuntos.
Abaixo, charge política de Dulci, publicada em 1967.
sexta-feira, 5 de maio de 2017
Dr. Manitu - Notícias Populares - 1985
Em depoimento, Roger, o autor da série declara: "Dr.
Manitu contava as aventuras de um expert em ocultismo, sempre
acompanhado de sua assistente Rebeca. Misturava magia, mistério,
ação e aventura, com a dose de erotismo que o jornal sempre pediu.
Eu recebia cartas e telefonemas com elogios de pessoas de várias
partes do Brasil, o que mostrava o sucesso da série".
"Paulistano, 55 anos, formado em publicidade pelo Liceu Coração de Jesus e em Comunicação Visual pela Universidade de Guarulhos. Desde jovem o amor pelas HQ sempre esteve presente. Iniciei no Notícias Populares em fevereiro de 1984 com a série Esquadrão Cinco.
"Paulistano, 55 anos, formado em publicidade pelo Liceu Coração de Jesus e em Comunicação Visual pela Universidade de Guarulhos. Desde jovem o amor pelas HQ sempre esteve presente. Iniciei no Notícias Populares em fevereiro de 1984 com a série Esquadrão Cinco.
Eu tinha
22 anos e havia enviado uma amostra de material aos editores - um
piloto, por assim dizer - e me chamaram na hora. Deixaram claro que o
trabalho não seria remunerado, nem dado ajuda de custo, mas não me
importei.
Quinzenalmente enviava novas tiras, que eram sempre
publicadas. Com o tempo, o jormal pediu para que se aumentasse a dose
de erotismo nas tiras, já que isso iria ao encontro do público do
jornal.
Minhas
tiras começaram lá embaixo no jornal, depois de todas as outras.
Aos poucos foi subindo, subindo, até ser a primeira tira do jornal,
em destaque.
Em
seguida, vieram Agente Ômega e depois Espionagem, sempre com a ação
como tema. Depois publiquei Thunder, uma espécie de Conan vivido num
passado alternativo.
Finalmente,
em dezembro de 1985, dei início à série Dr. Manitu, a mais longeva
de todos e que maior sucesso alcançou.
Haviam
leitores de outros estados que se dirigiam à rodoviária de sua
cidade todos os dias só para adquirir o jornal e ler - e colecionar
- Dr. Manitu! Um dos leitores chegou a viajar de Uberlândia para
São Paulo apenas para me conhecer.
Sempre
considerei meus personagens como atores, que se revezavam nos papéis,
dependendo da tira. Por isso que o “Número Um” de Esquadrão
Cinco tinha o mesmo rosto do Dr. Manitu, e “Denise” de Agente
Ômega o mesmo rosto de Rebeca, e assim por diante.
Foi uma
época muito legal, que guardo com carinho. Fui ficando com pouco
tempo para desenhar a série, e, aliado à falta de incentivo
financeiro, terminei por abandoná-la, mas é muito bom ser lembrado
por ela mais de 30 anos depois.
Hoje
trabalho à frente de um Departamento de Recursos Humanos numa
empresa contábil, mas sempre que posso rabisco em algum papel meus
personagens em cenas de ação.
Eles
continuam vivos dentro da minha imaginação".
Rogerio
Reis
(Roger)
Para ler as aventuras completas do Dr. Manitu, clique aqui.
quarta-feira, 27 de julho de 2016
Pernas pra que te quero - Luiz Gê e Tacus - Bandeirantes FM - 1984
Novela radiofônica de Luiz Gê e Tacus, com trilha sonora do Premeditando o Breque. Levada ao ar pela Bandeirantes FM no programa Noite Alta, de Geraldo Leite.
Para ouvir clique aqui.
Para ouvir clique aqui.
quarta-feira, 1 de junho de 2016
Canarinho, o super-herói de Otávio
Essa edição é muito especial! Resgata um grande tesouro; tratam-se de três aventuras em formato de tiras de jornal criadas pelo grande cartunista, caricaturista e chargista Otávio Câmara de Oliveira ou simplesmente Otávio. Um excepcional artista e jornalista do traço.
Em 1967, Mauricio de Sousa começa uma nova empreitada. Reuniu quase uma dezena de quadrinhistas nacionais e ocupou por alguns meses meia página do jornal “Última Hora” de São Paulo, com tiras diárias, algumas com aventuras continuadas e outras com piadas avulsas. Essa verdadeira aventura durou de 12 de dezembro de 1966 a 25 de maio de 1967. Mauricio de Sousa, através de sua distribuidora, publicou trabalhos de Osvaldo Talo, Zezo, Luscar, Alvarez, Vilmar e seus próprios personagens, como o Mug.
Um desses trabalhos foi muito especial, foi a primeira tira publicada pelo chargista e cartunista Otávio. Ele era desenhista do jornal e diariamente publicava ilustrações caricaturas, charges e dezenas de comentários gráficos dos fatos do dia. Ao que parece Otávio foi convidado por Mauricio de Sousa para ocupar um dos espaços disponíveis; Otávio optou por um super-herói; o Canarinho, que para se transformar num valente uniformizado comia alpiste. Otávio foi um dos profissionais mais constantes que publicaram tiras no jornal, foram quase cinco meses, o resultado impresso era de muito boa qualidade, com situações inusitadas e roteiro bem amarrado. Os desenhos eram ao estilo de Otávio: traços simples, caricaturais, muito bem delineados, com muita segurança e habilidade. Canarinho foi um personagem com argumentação muito diferente do que Otávio já produzia e do que ele publicou com o passar dos anos, especialmente nos jornais “Folha da Tarde” e “Notícias Populares”. Um trabalho vigoroso e muito divertido.
Canarinho só saiu nas páginas do jornal e nunca mais foi publicado, injustamente esquecido e pronto para ser redescoberto, o super-herói é uma pequena, mas preciosa, demonstração do talento único de Otávio.
A edição também traz uma biografia de Otávio contando toda a sua trajetória artística e jornalística, uma entrevista com Maurício de Sousa comentando seus primeiros anos de produção, a distribuidora de tiras e sua inserção nos jornais, especialmente na “Folha de São Paulo” e na “Folhinha”. A publicação traz ainda uma análise de cada aventura do Canarinho e a capa realizada pelo filho de Otávio, também caricaturista, ilustrador, cartunista e artista plástico, Novaes.
“Canarinho” é uma edição conjunta das Edições WAZ com a Inumanos Agrupados associadas à editora Laços. (36 pgs., tamanho: 16,5 x 26,5 cm., p&b, lombada canoa, R$ 26,00).
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quinta-feira, 17 de março de 2016
Pesquisa Sobre Quadrinhos - 1978
Pesquisa relativa ao panorama dos quadrinhos no Brasil conduzida pela ECAB (Editora Carneiro Bastos) no ano de 1978, onde se observa a tentativa de organização de uma associação de autores.
LEVANTAMENTO FElTO NO
RIO DE JANEIRO JUNTO A DIVERSOS DESENHISTAS
Daniel Azulay
Fortuna
Caulos
Miriam Monteiro
Guidacci
Mollica
Coentro
Rico Lins
Reinaldo
Todos os acima citados
trabalham eventualmente com H. Q. sem condlções, na maioria dos
casos, de sobreviver apenas como profissionais de H.Q.
Do que foi conversado e
tratado, deu pra trazer as seguintes reivindicações e ideias:
1 - Formação de urn
grupo que atuasse junto ao governo, defendendo os interesses da
classe.
2 - Lei de porcentagem:
para jornais, uma parte das tiras nacional. Para editoras,
percentagem nas páginas, percentagem nas publicações.
3 – revisão da
cessão do direitos. Abolição de recibos com cessão de direitos
obrigatória.
4 - Taxação e
tabelamento nas bancas para igualar os preços de capa.
5 - Criação de um
tabelamento básico para cobrança de cada setor.
6 - Obrigatoriedade de
contrato.
7 - Criação de um
centro de distribuição.
8 - Solicitação de
incentivos fiscais.
Num levantamento feito
junto à Rio Gráfica, temos os seguintes dados:
Uma revista estrangeira
de H.Q., digamos O Fantasma por exemplo, custa para ser feita, no
máximo 10 mil cruzeiros, isso incluindo direitos, tradutor,
letrista, material de reprodução, cor e editoração, em 64
páginas.
O Picapau Amarelo,
revista que a Rio Gráfica está editando, sai mais ou menos 80
mil, em 48 páginas. São 8 mil por roteiro, 5 por cento do preço
de capa pelos direitos, 5600 por desenhista (são 4 desenhistas),
mais outros salários, chegam a 40 mil ao todo de salários. Mais
encargos e custo operacional. Isso fora o material de desenho,
papel, tinta etc, e fora o custo de implantação. A parte
industrial é equivalente.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
Marcio Sidnei - Entrevista - 1978
Matéria/entrevista inédita realizada pela ECAB (Editora Carneiro Bastos) em 1978 com o desenhista e editor Marcio Sidnei Ehrlich, colaborador da revista O Bicho da editora Codecri.
Marcio Sidnei –
Entrevista - 1978
O problema da
regulamentação das histórias em quadrinhos na imprensa brasileira
é um assunto que preocupa sobretudo o artista nacional cujos
trabalhos sofrem as maiores restrições impostas pelo cartum
estrangeiro, com a conivência dos editores nacionais. Embora tenha
sido regulamentado por decreto-lei assinado em 1963, a matéria
continua sendo até hoje o grande "fantasma" que representa
a importação de personagens do exterior simplesmente porque as
empresas editoras não cumprem a sua obrigatoriedade.
Por Marcio Correia Lima
A Editora Carneiro
Bastos - ECAB, especializada na distribuição de cartuns genuinamente
brasileiros e que luta há mais de três anos para impor o artista
nacional no hostil mercado local, estrangulado pela maciça
importação de nomes estrangeiros, reuniu em mesa redonda dois
grandes desenhistas do quadrinho nacional - José Menezes (entrevista no post anterior) e Marcio
Sidnei Ehrlich - para debater a situação e de quebra ouviu o
jornalista Henrique Caban, chefe da redação de um dos maiores
jornais brasileiros (O GLOBO), em cujas páginas abrigam os mais
famosos nomes do "cartoon" internacional, em detrimento do
produto nacional.
O QUE DIZ A LEI E O QUE
NÃO CUMPREM OS EDITORES
No dia 23 de setembro
de 1963, o então presidente João Goulart assinava o decreto-lei
52.497 que foi submetido ao Ministério da Educação de Paulo de
Tarso, o qual disciplinava (e a partir dessa data nacionalizava) a
publicação de histórias em quadrinhos. Segundo o decreto, as
empresas editoras deveriam publicar, no conjunto de suas edições,
30 por cento de histórias nacionais a contar de 12 de janeiro do ano
seguinte. A percentagem que visava diminuir o afluxo de temas
estrangeiros nas histórias em quadrinhos, seria aumentada para 40
por cento em 1965 e 60 por cento em 1966, sendo que os desenhos
humorísticos e as ilustrações seriam exclusivamente nacionais a
partir do próximo ano.
Mas, apesar dessas
imposições, de lá para cá, parece que a lei não surtiu nenhum
efeito ou não entrou totalmente em vigor, pois o que se vê
publicado em quase todos os veículos nacionais, com raras exceções,
é a maioria esmagadora de desenhos estrangeiros.
Marcio Sidnei Ehrlich editor de histórias em quadrinhos de O GLOBO, além de ser crítico
especializado na matéria e um estudioso da comunicação, fala do
custo de uma tira de quadrinhos americanos.
— Para nós que
recebemos o produto já manufaturado e produzido em série, esse
custo é relativamente barato. Mas para o "syndicate", que
contratou o desenhista, esse mesmo custo sai muito mais caro. Em
alguns casos, de desenhistas famosos, as vezes a tira fica por 10 mil
cruzeiros.
Para a maioria dos
cartunistas brasileiros, as portas dos principais veículos estão
fechadas, as chances são mínimas de verem seus trabalhos publicados
e os incentivos quase não existem.
Sobre esse tema Márcio
Sidnei explica que não são muito boas as perspectivas de abertura
para o artista nacional, e que isso decorre sobretudo, da situação
acima exposta. Isto é, o fator econômico.
Como autor de
quadrinhos que também é, e já tendo publicado inclusive durante
alguns anos a série “Sir Lancelot", na Tribuna da Imprensa, e
atual colaborador junto com o desenhista Adail da série "Aristeu,
o Juiz", Marcio comenta que sempre defendeu a criação de uma
cooperativa que cuidasse dos problemas de produção e distribuição.
Segundo o editor de quadrinhos de O GLOBO, na realidade, tem sido
muito difícil conseguir a união dos desenhistas, cujas principais
causas ele próprio desconhece. Mesmo assim, ainda espero que a ideia
venha a se concretizar. Interrogado sobre o que se tem feito em prol
do desenhista brasileiro, responde:
Marcio Sidnei e seu personagem Sir Lancelot em 1975 na revista O Bicho.
— Sou a favor da
criação de um sindicato nos moldes do existente nos Estados Unidos
como única saída viável para regulamentação da situação do
profissional no Brasil.
Marcio Sidnei Ehrlich
acha que o desenhista brasileiro carece de uma melhor formação
técnica, principalmente no campo das artes visuais e gráficas para
que este possa entrar num mercado cada vez mais competitivo e
exigente. É preciso ser muito profissional.
Quanto a não devida
divulgação do artista e de seus trabalhos, Sidnei Ehrlich é da
opinião de que se deve montar um esquema perfeito de distribuição
de âmbito nacional, que permita o barateamento nos custos para os
jornais interessados na compra das histórias. É praticamente
impossível, afirma Marcio, para os veículos nacionais, pagar a
exclusividade dos desenhistas, enquanto nos Estados Unidos existe a
fórmula do "syndicate", que cuida da produção e distribuição das
histórias para o mercado local e externo.
Entre os profissionais
brasileiros, ele destaca Luiz Fernando Veríssimo, Jaguar, Chico
Caruso, Ziraldo e Jô Oliveira, entre outros. Do lado internacional,
aponta o Recruta Zero, no original, Beetle Bailey e Hagar; e os
desenhistas Feiffer, Moebius e Quino, entre os melhores.
O jornal O GLOBO do Rio
de Janeiro é o único veículo brasileiro que não publica uma só
tira diária de artistas nacionais; por outro lado, em suas páginas
diárias, como no suplemento dominical, são editadas 19 histórias
estrangeiras, para uma nacional representada pelo "Sitio do
Pica-Pau Amarelo".
Para o jornalista
Henrique Caban, chefe da redação de O GLOBO e ferrenho defensor do
"cartoon" importado, o desenhista nacional não existe, ou
melhor, diz que só pode citar um: Mauricio de Sousa.
Com esse ponto de vista
radical, Caban vai mais além e afirma que o artista nacional não
tem mesmo chance. E acrescenta que esta só virá quando todos se
unirem em torno de um órgão de classe, porque a união faz a força.
Embora sustentando a
afirmação negativa de que o mercado vai continuar fechado para o
desenhista brasileiro, Henrique Caban se contradiz e declara que tem
tentado abrir as portas para os profissionais de casa, e que sim
continuará fazendo.
Contra a argumentação
de que o que se vê todos os dias nos jornais brasileiros só são
historietas americanas, meio embaraçado responde que isso e apenas
uma questão de preço.
Enquanto o custo for
mais barato para o jornal, continuaremos dando preferência ao
produto importado, afirma Caban.
(C) ECAB
Outubro/1978
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