sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Vereda Tropical - 1981



Vereda Tropical, do cartunista Nani (Ernani Diniz Lucas, 1951-2021), estreou na revista O Bicho em 1975. A partir do início dos anos 1980 passou a ser publicado diariamente no formato tira no Jornal do Brasil.

Tendo como pano de fundo uma aldeia indígena na época do Brasil Colônia fazia uma dura, mas divertida, crítica política e de costumes aos tempos atuais. 

Foi publicado também em diversos outros jornais do país com distribuição da Agência Funarte.

Saiu em livro pela editora Record em 1984.

Em primeiro de novembro de 1981, quando da estreia das tiras, o JB publicou o seguinte texto: 

"A partir de amanhã, os índios Turuna e Veizim e o bandeirante Fernandias estarão diariamente nos quadrinhos do JORNAL DO BRASIL, uma criação de Nani, com o título de Vereda Tropical. O humorista, cartunista e chargista parte do princípio de que o humor é o caminho mais curto entre duas pessoas, e o utiliza como plataforma para observar e criticar o mundo que o cerca.

Nascido na cidade mineira de Esmeraldas, fundada por bandeirantes, Nani atribui ao folclore em volta de índios e bandeirantes com o qual conviveu durante toda a infância a inspiração para os personagens de Vereda Tropical. O habitat de Turuna, o índio jovem, de Veizim, o índio mais velho, esperto, safado, e do bandeirante Fernandias, pode tanto ser o mato como a selva das cidades. E das relações entre eles, saem críticas à violência, ao desemprego, às dificuldades do cotidiano.

— Esses personagens — explica o autor — abordam o cotidiano e todas as suas aflições, o humor como forma de pensar, criticar e refletir a realidade.

Na sua infância, lembra Nani, os bandeirantes eram apresentados como heróis, os cowboys brasileiros, pois mataram muitos índios. Elegê-los, assim como aos índios, e ainda ao Jesuíta Jesuíno, que aparece de vez em quando, é uma forma de estabelecer contato com pessoas de todas as idades e formações:

— São personagens simples, da história do Brasil transportados para o dia-a-dia, ressalta Nani.

Para o autor, o humor é fundamental no processo de criação, e por isso sua preocupação maior. Suas tiras são simples mas corrosivas, e através dos personagens poderão ser confrontadas visões mais críticas (o índio Veizim), mais conservadoras (Fernandias) ou intermediárias (Turuna), enquanto ao Jesuíno cabe uma visão mais moral e ética.

No dia-a-dia, o leitor terá contato com uma abordagem crítica, mas nem por isso mal-humorada, de problemas que enfrenta ou o ameaçam. Uma sucessão de abordagens que, garante o autor, não e tão difícil assim de malhar:

— O problema das tiras — afirma — é começar. Depois, por um mecanismo misterioso, os personagens ganham vida e eles mesmos fazem a história. Mais problemático é ampliar o espaço para o humorista brasileiro, e cada nova conquista é uma grande vitória, uma clareira que se abre".

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