Em 1985, em depoimento ao jornal, Juliano declarou: "Juca Matuto é um caipira que vive, critica e satiriza o dia-a-dia da cidade".
Filho de José Tomas de Oliveira, Kaapora é nascido em Ribeirão Claro (PR) em 1972, criado em Piraju (SP) e mora há seis anos em São Caetano do Sul, depois de uma longa temporada no bairro do Jabaquara.
Em 1991, aos 19 anos, Juliano trabalhava como ilustrador e layoutman na agência de propaganda Shanadu. Nessa época passou a dedicar-se a um projeto diferente:
“Estou desenvolvendo um trabalho mais sério, realista, que fala mais da vida, dos sentimentos das pessoas e sobre a condição do país”.
Dentro desse contexto, ele criou uma gangue de heróis chamada “Anjos Negros”. Esses personagens relatam a vida do menor abandonado, que, pela falta de interesse da sociedade, acaba sendo esquecido, o que gera pobreza, marginalidade e revolta.
“Os Anjos Negros retratam a decadência do regime de nosso país em relação ao menor”, explica Juliano. A gangue é formada por três jovens. Um deles, Christian, cabeça da turma, teve uma infância complicada. Sozinho no mundo, ele cresce nas ruas, sobrevivendo às custas do roubo, prostituição e envolvimento com drogas.
“Ele deve ter uns 20 ou 23 anos”, imaginava o desenhista. “Nessa idade, ele se apaixona por uma garota, Eliane, que morre ocasionalmente num assalto. Depois disso ele começa a refletir sobre o seu comportunento. Percebe que, o mesmo ambiente que o criou, acabou matando a única pessoa que ele amou”.
“A partir disso, ele, vestido de trajes negros, se arma, recruta outros três jovens e sai às ruas para lutar contra o crime. Christian acaba lutando contra as condições sociais que o criaram. Se envolve na luta contra a prostituição, crime, contrabando e drogas.
De lá para cá Kaapora evoluiu constantemente participando de vários trabalhos em quadrinhos como "O Guarani", editora Scipione, 2012 e "Acelera SP", 2017.






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