sexta-feira, 28 de março de 2025

El Pablo X El Diablo - 2007

Aparecendo mensalmente nas páginas do Folhateen, suplemento jovem da Folha de S. Paulo, a partir de julho de 2007 e uma das séries mais criativas dos anos 2000,  El Pablo X El Diablo contava as desventuras de dois lutadores mexicanos de luta-livre apreciadores fanáticos de jazz.

Criada pelo desenhista Jan Limpens e pelo autor austriáco Peter Waldeck, as histórias apresentavam um desenho bastante moderno e textos hilários que beiravam o nonsense

Mas o humor corrosivo da dupla não passou incólume pelos leitores, como podemos ler na seção de cartas de 26 de novembro de 2007: 

"Quadrinhos de mau gostoMeus pais assinam a Folha desde que eu era criança, o que significa uns 40 anos ATRÁS. Cresci lendo a Folhinha e depois os demais cadernos do jornal, que sempre respeitei muito. Hoje tenho dois filhos, de 8 e 10 anos, e já mostro algumas reportagens pra eles lerem e discutirmos em família, como a matéria que saiu no Folhateen há uns 15 ou 20 dias, falando sobre os males da bebida no corpo humano, especialmente do adolescente. Contudo, no Folhateen de 19/11, a história em quadrinhos da contracapa, um tal de Invincible Claw, de Jan Limpens e Peter Waldeck, é terrível, de um mau gosto profundo, horrorosa, chegando mesmo a incitar a violência. Fica aqui registrado o meu desgosto, desaprovação e total repulsa por tal publicação, em meu nome e no de meus pais.

JOSMARA MOLINA"

"Quadrinhos de mau gosto 2Gostaria de manifestar minha decepção com a Folha no que se refere à tirinha do Folhateen de 19/11. Como mãe e hebiatra [médica de adolescentes), tenho certeza de que os jovens precisam de mensagens de respeito e amor ao próximo, e não histórias de violência gratuita sem objetivo, situações infelizmente vividas no nosso dia-a-dia.

ANDREA HERCOWITZ"

A única pessoa a sair em defesa do trabalho foi a cartunista Laerte, em 03 de dezembro, com a seguinte resposta:

"Em defesa de Jan LimpensSou colega e admirador do Jan Limpens e quero dizer que o trabalho dele é de alto nível. Certos hebiatras (médico de adolescentes), pais e mães, no afã de proteger os jovens como se eles fossem repolhos sob ataque de gafanhotos, tentam blindar suas mentes e canalizar toda essa inquietação e curiosidade da adolescência para o que se considera sadio, elevado, de bom gosto etc. Isso é censura, e, na verdade, é exatamente o que incita à violência. Apelo a esses educadores para que abram os olhos para a inteligência, a arte e a audácia da criação. E outra coisa: acho que o Folhateen erra ao titular as cartas com “quadrinhos de mau gosto”, como se fosse essa a condição do trabalho e não apenas uma opinião. Obrigado! Beijo.

LAERTE COUTINHO (colaborador do Folhateen), 56, São Paulo, SP".


El Pablo X El Diablo perdurou até 2009.

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Jan Limpens-Doenraedt nasceu em Viena, Áustria em 1971. Ainda jovem começou a trabalhar como autor, ator e diretor de peças e filmes. Neste período ele começou a aventurar-se em terras desconhecidas — Índia, China, Paquistão e o oriente médio. Assim também veio parar no Brasil e fixou sua residência em São Paulo, onde passou a desenhar histórias em quadrinhos e ilustrar livros, revistas e outras publicações nacionais e estrangeiras. Além disso, passou a ser colaborador do jornal Folha de S. Paulo quando venceu o 3ª Concurso Folha de Ilustração e Humor em 2006 com a tira Otakoo Saloon Cartoon e faz parte do Quadrão da Ilustrada nos domingos com a série Pepita e Pipo. Seus livros receberam prêmios nacionais, indicações de instituições como a FNLIJ e participaram nas seleções brasileiras da feira de Bolonha.


sexta-feira, 21 de março de 2025

Quase nada - 2009

Já consagrados no meio das artes gráficas, os irmão gêmeos Gabriel Bá e Fábio Moon idealizaram em 2009, para a seção de quadrinhos da Folha de S. Paulo, a série Quase Nada. Publicada semanalmente aos sábados, as tiras duplas tinham desenhos estupendos, como é comum aos gêmeos, e roteiros que variavam do poético ao filosófico, sempre sem se fixar em personagens.

Sobre os autores: "Fábio Moon e Gabriel Bá - São irmãos gêmeos e nasceram em 1976, em São Paulo. Publicaram seu primeiro fanzine de quadrinhos em 1993. Formados em Artes Plásticas, criaram em 1997 o fanzine 10 Pãezinhos, que recebeu o prêmio HQ Mix de melhor fanzine e de artistas revelação em 2000, ano em que lançaram seu primeiro livro, O Girassol e a Lua. Há quase vinte anos, os dois têm produzido quadrinhos para o mercado brasileiro e internacional e seus trabalhos já foram publicados em doze idiomas. Em 2008, O alienista, sua adaptação do clássico de Machado de Assis, recebeu um prêmio Jabuti.

Seu último livro, Daytripper, estreou em primeiro lugar na lista de mais vendidos do New York Times, foi escolhido como uma das melhores graphic novels de 2011 pela revista Publishers Weekly e pela Amazon, e ganhou os prêmios Eisner Award e Harvey Award (Estados Unidos), o Eagle Award (Reino Unido), o prêmio de melhor HQ no festival Les Utopialles, em Nantes, e entrou na seleção oficial do Festival International de la Bande Dessinée d’Angoulême, 2013 (França)".

sexta-feira, 14 de março de 2025

Al'Hanat - 2014

Yuri Al’Hanati - (1986): Yuri publicou entre 2014 e 2017 uma tira diária com tintas biográficas e sem título no jornal Gazeta do Povo. Foi convidado para fazer o trabalho quando estava em viagem pelo continente europeu. Sobre a experiência, apresenta o seguinte depoimento:

“Lembro que liguei para o Benett em busca de algum tipo de conselho profissional ou benção, e ele apenas me disse que o importante era que eu me divertisse. Levei esse conselho como uma máxima pelos três anos que trabalhei como cartunista, até a Gazeta extinguir o espaço junto com a versão impressa do jornal. Não posso negar que em algumas semanas o trabalho foi trabalho. Mas, na maior parte do tempo, o dia que eu separava para fazer as tirinhas da semana era um dia de diversão. Fui feliz, se não me engano. Já os leitores da Gazeta não pouparam ofensas e críticas ao meu traço mal feito e ao meu senso de humor esquisito. Mesmo assim, em nenhum momento o jornal interferiu no meu trabalho, nem o censurou de qualquer forma. Acho que isso tende a ser uma raridade nos grandes veículos de comunicação”.*

*Narrativas gráficas curitibanas / José Aguiar - Curitiba, PR - Secretaria da Comunicação Social e da Cultura: Biblioteca Pública do Paraná, 2019.

Yuri Al'Hanati nasceu em Angra dos Reis (RJ), em 1986, e reside em Curitiba desde 2004. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), é cronista e crítico literário. Fundou, em 2010, o Livrada!, plataforma multimídia voltada à literatura, e mantém uma coluna semanal desde 2015 no portal A Escotilha. É o autor do livro de crônicas Bula para uma vida inadequada (2019) e participou da antologia Fake Fiction: contos sobre um Brasil onde tudo pode ser verdade (2020).

sexta-feira, 7 de março de 2025

Chester Cheetah - 1994

Publicadas no tabloide promocional Clube Chee-tos Teens, as tiras de Chester Cheetah aproveitavam o carisma da mascote dos salgadinhos para promover os produtos da Pepsico Foods International/Elma Chips.

Elaborado pela Editora Duna Comunicações, o jornalzinho trimestral trazia, além dos quadrinhos, matérias sobre música e outros assuntos voltados ao público adolescente. A publicação teve pelo menos sete edições.

As aventuras de Chester não apresentavam créditos, mas podemos reconhecer em muitas delas os traços do desenhista Paulo José e de Altino Lobo, que nesse período produziam também o jornal jovem Kidnews.

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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

Boitatá e os farrapos - 1984

Publicada no início dos anos 1980, Boitatá e os farrapos foi criada pelo cartunista Sérgio Miguel (Sérgio Miguel Castro da Rocha) e publicada no jornal Folha da Tarde, de Porto Alegre (RS).

Contava as aventuras do coronel Boitatá e seus amigos: o indígena Pamonha, o guri Telesforo e o amante das bebidas alcoólicas Bagana, durante a Revolução Farroupilha (1835-1845), sempre com bom humor e aproveitando muito bem os fatos históricos. As tiras foram reunidas em livro em 1985 pela editora Pallotti.

Sérgio Miguel foi muito atuante nos quadrinhos durante as décadas de 1970 e 1980. 

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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

Romeu, o descasado - 1987

Romeu, o descasado, faz de tudo para ser feliz, depois da falência de um casamento modelo. "Frequenta academias de musculação: compra roupas novas; procura outra namorada: tenta reatar com a ex-companheira; embriaga-se; perde todo o dinheiro; vai, ansioso, tentar diálogo com os filhos.

Romeu estreou nas páginas de O Estado de São Paulo em setembro de 1987 e foi publicado em diversos outros jornais por meio da Agência Funarte.

Seu autor, Maringoni, "se inspirava nas histórias contadas por parentes e amigos. Histórias cada vez mais longas... E cada vez mais tragicômicas. Daí que a história do pobre Romeu continha um pouco de cada um de nós, diante de algumas situações".

Gilberto Maringoni de Oliveira (1958), nasceu em Bauru, SP, e mantém um escritório de produção gráfica. Teve intensa atuação como cartunista, chargista e autor de histórias em quadrinhos na imprensa brasileira e internacional. Colaborou com as seguintes publicações: Veja, Isto é, Carta Capital, República, Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, Gazeta Mercantil, Zero Hora (RS), Jornal do Brasil, O Estado de Minas, Jornal do Commércio (PE), Hoje em Dia (MG), Movimento, Fluide Glacial (França), Seleções BD (Portugal), Punto Final (Chile), Question (Venezuela), Orme (Itália), além de um sem número de publicações da imprensa sindical, comunitária e empresarial. Foi, além disso, chargista político de O Estado de S. Paulo, entre 1989 e 1996. Como quadrinhista, publicou trabalhos no Brasil, Chile, Venezuela, França, Espanha, Portugal e Itália. Realizou inúmeras capas de livros, cartazes, projetos gráficos e ilustrações para imprensa.

Ex-fanático por quadrinhos norte-americanos, Maringoni trocou a arquitetura pelo desenho, depois de tentar ser escritor. Foi diretor da Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas de São Paulo e chegou a redigir um projeto de lei para regulamentar a publicação de quadrinhos estrangeiros no Brasil.

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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

Salmonellas - 2015

Mais uma das várias séries do cartunista Benett para a Gazeta do Povo, de Curitiba (PR), Salmonellas não tinha personagens fixos, mas trazia o humor afiado e divertido do autor e foi publicada em 2015.

Benett, em 1995, já frequentava as páginas da Gazeta do Povo, como podemos ver no trabalho acima.

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