sexta-feira, 24 de maio de 2019

Tenente Wilson - O Poti - 1971

Criado por Luiz Pinheiro para a página "Quadrinhos" do jornal O Poti - RN, Tenente Wilson foi uma série de ficção-científica que contava as aventuras do personagem título, um piloto espacial às voltas com um soro misterioso. Mais um herói lançado pelo GRUPEHQ (Grupo de Pesquisa em Histórias em Quadrinhos), iniciativa potiguar de incentivo aos quadrinhos nordestinos. Nos desenhos, podemos perceber que Luiz Pinheiro mostrava grande influência de Jack Kirby.

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Na edição de lançamento da página 'Quadrinhos' do jornal, foi publicado o seguinte texto:

"Esta é a página que estava faltando para completar o total aproveitamento das possibilidades do offset em Natal. Assim se coroa a batalha inteligente que o sr. Luís Maria Alves (diretor do jornal) tem levado a efeito, ao longo dos anos, para oferecer uma informação atualizada e apoiar os valores da terra.

Da nossa primeira exposição de Histórias em Quadrinhos, na Biblioteca Pública do Estado, em maio passado, nasceu a idéia da organização de um grupo para pesquisa, criação, estudo e divulgação desta técnica narrativa tão popular. O GRUPEHQ (Grupo de Pesquisa em HQ) hoje diz “presente” aos leitores deste matutino. E, ao assumir este plano, espera que lhes sejam criadas as condições para concretização das palavras do nosso conterrâneo Moacy Cirne — autor do livro BUM! A EXPLOSÃO CRIATIVA DOS QUADRINHOS (o primeiro livro brasileiro sobre o assunto) — no catálogo daquela exposição pioneira: “Esta exposição, certamente modesta, certamente incompleta, poderá ser a abertura para as possibilidades dos quadrinhos brasileiros.

Não como importação de modelos estrangeiros, mas como criação de um mundo a partir da nossa realidade nacional. isto é, social.” Parafraseando-o, poderemos dizer que esta página (que não é uma página só para crianças) será a abertura para as possibilidades do quadrinho nordestino — juntamente com a revista GIBI-NOTÍCIAS, que estamos igualmente lançando neste começo de agosto.

Quem se interessar, quem atestar capacidade em criar historinhas, ou escrever artigos críticos, notícias, notas e tudo o mais que se refira à chamada OITAVA ARTE — pode nos procurar, que sua colaboração será aceita (é claro que se realmente for válida). Aceitamos críticas e sugestões, se construtivas.
Queremos dialogar. Trazemos um ideal: o que nos leva a esta tentativa é a necessidade de redefinir entre nós as histórias quadrinizadas, tema aparentemente passageiro, mas que tem, na verdade, ampla importância e influência no contexto cultural contemporâneo e na sensibilidade do homem de hoje. Sem que perca aqueles efeitos de massa de pura fruição e divertimento, os quadrinhos têm manifestado riquezas estéticas, sociais e culturais verdadeiramente ilimitadas. Em termos de comunicação, abriram novos horizontes para a imprensa. Em termos de cultura geral, representaram e representam ainda o questionamento da arte tradicional, cujo caráter de eternidade é sucedido pelo consumo rápido das massas médias, sob o signo da reprodutibilidade técnica. Constata-se: as duas revoluções industriais mataram a obra prima, o objeto único, e os quadrinhos atingem um terço da humanidade, se tornando um fenômeno social da época. Merecem, sim, ser a notícia para que um jornal moderno, feito em offset possa por ela se interessar.

A partir de hoje, semanalmente aos domingos, O POTI terá então a sua página de historietas, onde adultos e crianças encontrarão motivo de elucidação sobre as novidades da época para uma simultânea formação moral e cultural. Depois, conforme as nossas possibilidades e a superação dos nossos limites provincianos, poderemos tentar ampliar o nosso raio de ação, publicando todo um suplemento dominical, e afirmando assim o quadrinho nordestino através da liderança natalense. Não val nisso esnobismo e sim uma promessa de trabalho e boa vontade".

sexta-feira, 17 de maio de 2019

A Família Bonney - O Poti - 1971

A Família Bonney estreou no segundo número da página Quadrinhos, do jornal O Poti - RN, em 1971.

Aventura tradicional de velho oeste, contava como o patriarca dos Bonney, Kid Bonney, indignado com a facção criminosa que dominava a cidade de Tombstone, dirige-se para lá a fim de liquidar os bandidos e estabeler a ordem local.

Foi criada por Reinaldo Azevedo, integrante do GRUPEHQ (Grupo de Pesquisa em Histórias em Quadrinhos), e era publicada em capítulos semanalmente.

Em carta ao jornal, em agosto do mesmo ano, Moacy Cirne, crítico e pesquisador de histórias em quadrinhos, questiona a temática usada nos trabalhos do grupo:

"MOACY CIRNE (Rio de Janeiro, GB) — “Fiquei entusiasmado com o movimento de vocês, elevando os quadrinhos à altura que eles realmente merecem.

Contudo, eu gostaria de lembrar que — embora mereçam todo o nosso incentivo e apoio — quadrinhos feitos no Rio Grande do Norte devem partir, do contexto nordestino, ou seja, devem se inserir na problemática da terra e homem nordestinos.

O meu abraço para Lindberg, Pinheiro e Reinaldo, portanto, será maior quando os seus quadrinhos refletirem a nossa problemática. Convenhamos — por exemplo — que a FAMÍLIA BONNEY não é nada brasileira.”

A resposta veio em seguida:

"A coisa é tão complexa, Moacy! O negócio do consumo do nosso quadrinho é mesmo um negócio!... Existe o tabu de que não somos capazes de fazer quadrinho válido.

De maneira geral, o consumidor ainda está numa fase de só aceitar quadrinho de faroeste ou quadrinho tipo TIO PATINHAS.

Por isso que o Reinaldo experimenta a espécie de comunicação da FAMÍLIA BONNEY: pela devoração antropofágica, pelo vale-tudo metalinguístico.

Quando nosso quadrinho pégar, tentaremos então o nosso momento auto-crítico de quadrinho/verdade, com o TENENTE WILSON lutando por nossa tecnologia e o DON INÁCIO como instrumento de desmistificação".

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Super-Cupim - O Poti - 1971

Criado para o semanário O Poti (Orgão dos Diários Associados), o Super-Cupim era uma tira humorística que antecipou em vários anos muitos quadrinhos de caráter metalinguístico no Brasil, em suas conversas com o leitor e em suas brigas com o autor/desenhista. Foi concebida pelo cartunista Emanoel Amaral em 1971. Amaral fazia parte do Grupehq (Grupo de Pesquisa em História em Quadrinhos), fundado nesse mesmo ano em Natal - RN.

Sobre este assunto, o desenhista Cláudio de Oliveira escreveu na apresentação de seu e-book 'Em Quadrinhos na Maturí'

"Selecionei para este e-book os desenhos que preparei para a Maturí, revista de quadrinhos alternativos que começou a circular em Natal, em março de 1976. 

Alguns trabalhos foram publicados, outros continuaram inéditos. Um anos antes, havia contatado o Grupehq, o Grupo de Pesquisa de História em Quadrinhos, criado em 1971 e que, naquela altura, reunia nomes já consagrados na cidade, como Aucides Sales, Edimar Viana, Emanoel Amaral, Enock Domingos, Lindberg Revoredo, Luiz Pinheiro e Reinaldo Azevedo, entre outros. Juntos aos artistas do traço atuavam ainda dois estudiosos da chamada nona arte, o jornalista Anchieta Fernandes e o professar Dom Lucas Brasil.
O Grupehg brilhara nas páginas do suplemento dominical de quadrinhos do jornal O Poti, lançado em agosto de 1971, o suplemento circulou até abril de 1972, tempo suficiente para que a equipe mostrasse o seu talento em vários gêneros da arte sequencial. Dos quadrinhos de terror de Reinaldo Azevedo, com O Coveiro, à ficção científica no desenho primoroso de Luiz Pinheiro, com o Tenente Wilson, passando pelo traço cômico de Aucides Sales, com o seu Capiroto, ao metalinguístico Super-Cupim, de Emanoel Amaral.

O Grupehq editou várias publicações, como o Gibi Notícias, durante a ano de 1971, e a revista Cabramacho, que circulou três números em 1974, sob a batuta de Lindberg Revoredo. E, em março de 1976, lançou a Maturí, no pequeno formato de 32 por 8 centímetros, com 16 páginas. Daí o nome maturí, o pequeno fruto do caju, ainda broto, mas de sabor forte. 

O Grupehq abrigava diferentes expressões do quadrinho potiguar, mas a maioria dos quadrinistas não era politicamente ingênuo, principalmente a núcleo que editava a revista. Ainda nas páginas de O Poti, em 1971, o Super-Cupim, de Emanoel Amaral, ironizava os super-heróis norte-americanos, como protesto possível contra a Guerra do Vietnã, numa época em que o Brasil vivia sob a censura e a repressão do regime instalado em 1964. Para reforçar a espírito critico da revista, a Maturi passou a receber a colaboração de Henfil, um dos mais consagrados cartunista político do país, que morou mm Natal de 1976 a 1978. Zeferino, Graúna e o bode Orelana marcaram presença nas páginas da pequena publicação".

sexta-feira, 3 de maio de 2019

CETPA - Cooperativa Editora e de Trabalho de Porto Alegre - 1961

A CETPA foi um movimento capitaneado pelo desenhista José Geraldo, com o apoio do então governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, a partir de 1961, com o objetivo de fomentar os quadrinhos brasileiros.

O texto a seguir foi publicado na primeira edição do livro Quadrinhos para Quadrados, de Diamantino da Silva - editora Bels, e publicado em 1976. Este é um dos raros livros que abordou o assunto. Como o capítulo foi retirado na 2ª edição (editora Laços, 2018), poderá ser lido a seguir.
Tira de Zé Candango por Renato Canini e José Geraldo - CETPA - 1963
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RGS - CETPA
História do Rio Grande do Sul. Capa de Thierry de Castro, desenhos de Júlio Shimamoto e João Mottini (abertura não creditada), argumento de João Cândido Maia Neto. CETPA - 1962.

"Merece citação especial dentro deste capítulo dedicado ao quadrinho nacional, o movimento que nos chegou do sul do país em 1961, reunindo desenhistas e argumentistas e, culminando com a fundação da Cooperativa Editora e de Trabalho de Porto Alegre - CETPA. 

Talvez influenciados pelo exemplo argentino, visavam nossos confrades sulistas, abrirem uma nova frente de trabalho com a criação e publicação de revistas e heróis nacionais, como bem afirmava o editorial abaixo, estampado na contra capa de seu primeiro número (revista Aba Larga): 

"A 'Cooperativa Editora e de Trabalho de Porto Alegre Ltda.' é o resultado da luta desenvolvida há anos por desenhistas e argumentistas patrícios, no anseio de aqui produzirem histórias brasileiras identificadas com nossos hábitos e costumes. É imperiosa a necessidade de elevar a exploração desse gênero de literatura, sabendo-se como é nefasta a influência que exerce sobre o condicionamento moral da infância e da massa semi-alfabetizada.

Há muitos anos nossa juventude vem assimilando, exclusivamente, histórias estrangeiras de 'Super-men', 'cow-boys', 'Dick Tracy', 'Steve Canyon', 'Roy Rogers' etc., vivendo temas falsos, completamente alheios à nossa realidade e tradição.

O espírito da CETPA não é de xenofobia, nem de restrição, e sim, um legítimo ato de defesa de nossos artistas, ora esmagados pela avalanche do material importado. Na árdua e longa luta em busca de um mercado que possibilite transformar sua arte em autêntica mensagem de nosso folclore, hábitos e costumes, o artista brasileiro, graças à compreensão e apoio do Governo do Rio Grande do Sul, concretiza a sua mais cara aspiração: descobrir um Brasil novo, rico de belezas históricas e heróis autênticos. PINTAREMOS O BRASIL DE VERDE E AMARELO.".
Tira de Sepé, por Flávio Colin - CETPA, 1963.

Muito embora em si, não possamos classificar como pioneiro, esse movimento gaúcho teve pelo menos o mérito de levar a coisa a termos mais concretos. 

Pena que por falta de uma melhor estrutura editorial, a CETPA tenha sido forçada a encerrar suas atividades em fins de 1963, justamente quando nosso público, através da divulgação de outros órgãos de nossa imprensa (Jornal do Brasil, Última Hora etc.), começava a se inteirar do trabalho desenvolvido por esses novos artistas. 

Foi uma bela oportunidade que se perdeu, em que pese o esforço dos desenhistas: Getúlio Delphim (Aba Larga), Flávio Colin (Sepé Tiaraju), Renato Canini (Zé Candango), Anibal Bendati (Lupinha), Flávio Luiz Teixeira (Piazito), Luiz Saindemberg (História do Cooperativismo), Júlio Shimamoto (História do Rio Grande do Sul), e dos argumentistas: Carlos Freitas, Hamilton Chaves, Cavalheiro Lima, José Geraldo e outros. 
Tira do Aba Larga, por João Mottini, CETPA, 1963.

Valeu no entanto como mais uma tentativa feita querendo eliminar o quadrinho brasileiro de risco, dentro de um mercado consumidor acostumado a digerir material americano há mais de cinquenta anos".
 História do Cooperativismo, CETPA, 1962 (2ª edição). Capa e miolo de Luiz Saindenberg, argumento de Walter Castro de Freitas.

  Tiradentes, CETPA, 1963, capa e miolo de Gutemberg Monteiro, texto da "Equipe da CETPA".

  Vida do padre Reus, CETPA, 1963, capa de Thierry, desenhos de Gedeone Malagola, texto do Padre Sérgio Raupp.
  Aba Larga nº 1, CETPA, 1962. Capa de Thierry, desenhos de Getúlio Delphim, argumento de Hamilton Chaves.
 Aba Larga nº 2, capa de Luiz Saindenberg. Aba Larga nº 3, capa de Flávio Luiz Teixeira. O 4º número, nunca publicado, teria capa de João Mottini (figura acima). 1962.
Sepé nº 1, 1962. Capa de Thierry, miolo de Flávio Colin, argumento de Clima.

As revistas Lupinha, Piazito e Zé Candango, embora anunciadas, nunca foram editadas. Então, na totalidade foram publicadas pela CETPA três números do Aba Larga, um número do Sepé, as revistas Tiradentes, História do Cooperativismo, História do Rio Grande do Sul e a Vida do Padre Reus e as tiras de jornal Zé Candango, no Jornal do Brasil e no Última Hora gaúcho, Aba Larga, Lupinha e Sepé, todas no Última Hora. Aylton Thomaz, apesar de, aparentemente, não ter participado diretamente da empreitada, teve sua tira Bingo, o pequeno jornaleiro, publicada junto às outras tiras da CETPA no UH.

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Forró na Caatinga - 1991

Forró na Caatinga conta a história do sertanejo Severino e seu burro Zé Rodrigues. Moradores do município de Folha Seca, Severino tem sua pequena propriedade cobiçada pelo coronel Cruz, latifundiário local. Outros personagens da série são: os calangos Aristóteles e Platão, o padre Ambrósio e até a Dona Morte, além de muitos outros.

Foi criada pelo cartunista  e animador Lancast Mota e publicada em livro pelo próprio autor em 1991. Muito bem elaborada, a obra é praticamente um tributo ao desenhista Renato Canini, principalmente na parte gráfica, conforme indicado no próprio livro.

Lancast nasceu em 1964 em Fortaleza, Ceará. Radicado em Porto Alegre, dedicou-se à animação, participando e realizando vários projetos, como um desenho animado do personagem Kactus Kid, de Canini, e as aventuras da sua personagem Anabel, que além de episódios animados, teve uma tira em quadrinhos publicada na revista Recreio, da editora Abril, entre 2005 e 2007. "Há mais de 40 anos é roteirista da Turma da Mônica, na Mauricio de Sousa Produções, esboçando suas próprias histórias e diz que seus personagens preferidos são os do núcleo do Penadinho e do Astronauta. O roteirista comenta que gosta de desenhar desde criança, e que para trabalhar na área da literatura e dos quadrinhos foi preciso ler muito, para ter tanta criatividade".
Tira de Anabel na revista Recreio.

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Grandes Guerras - Diário da Noite - 1964

Grandes Guerras - Série histórica contando o desenrolar das grandes guerras do século XX, era publicada todos os dias no Diário da Noite à partir de agosto de 1964. Produzida por Rivaldo A. Macedo e Rubens Cordeiro sob o selo da Baeta Produções, perdurou até 1965. Concluída a fase da 1ª Grande Guerra, a dupla de autores executou uma nova etapa com a história da 2ª Guerra Mundial. Ambas foram trabalhos notáveis e de grande fôlego.
Sobre os artistas:

Rivaldo Macedo é bastante conhecido por ser um dos criadores do super-heróis da editora  GEP e Graúna, tais como SuperargoMístyko, lendo o catálogo da exposição Caricaturistas - Paço das Artes (Secretaria de Cultura do Estado - SP - 1971), ficamos sabendo: "Rivaldo de Amorim Macedo, nasceu em Catende, Pernambuco, em 12 de maio de 1939. Participou de uma coletiva na Galeria das Folhas em 1965 e trabalha exclusivamente no Jornal da Tarde, desde 1968. Colabora com as revistas Claudia, Veja e Quatro Rodas da Editora Abril. Tem uma historieta em quadrinhos no Jornal da Tarde, 'Zé Latinha'. Está participando da Exposição de Histórias em Quadrinhos no Museu de Arte 'Assis Chateaubriand', em São Paulo".

E no site Guia dos Quadrinhos podemos ler: "Era creditado tanto como “Rivaldo Amorim” quanto “Rivaldo Macedo”, o que causava confusão entre leitores e pesquisadores, que acreditavam serem dois desenhistas diferentes.

Rivaldo na revista Johnny Pecos da editora D'Arte em 1981.

Rivaldo era jornalista, humorista, diretor de arte e ilustrador. Trabalhou para o “Jornal da Tarde” e também para a Abril. Ele fazia parte da turma que se reunia no estúdio que Rodolfo Zalla dividia com Eugenio Colonnese para papear sobre diversos assuntos, sobretudo quadrinhos. Além do tempo em que dividiu a direção editorial da editora Taíka com Zalla, Rivaldo se associou com Ulisses Tavares de Souza e Reinaldo de Oliveira na Editora Graúna. Ele foi se afastando gradativamente do grupo depois de 1971 e, apesar de ainda ter publicado as tiras de “SOS Brasil” por volta de 1975, abandonou os quadrinhos".

Rivaldo n'O Cruzeiro em 1968 e no catálogo da exposição do Paço das Artes em 1971.

Sobre Rubens Cordeiro, em seu site pessoal, podemos ler: 

"O paulistano Rubens Cordeiro é um dos principais desenhistas e quadrinistas brasileiros em atividade.

Reconhecido como mestre do P&B, foi pela sua refinada técnica do pincel e do bico de pena embebidos em nanquim preto que ele contribuiu, ao longo de cinco décadas, com a arte da HQ no Brasil. Em 2002 ganhou o Prêmio Angelo Agostini, na categoria Mestre do Quadrinho Nacional.

Com apenas cinco anos de idade, Rubens revelava o talento para desenhar. Incentivado pelos pais Anna Ribeiro Cordeiro e José Franscisco Cordeiro, cedo ele começou a desenvolver seus traços, primeiro interpretando figuras e fotografias que via nas revistas e jornais que o pai lhe trazia.

Autodidata, Rubens aprendeu as técnicas do pincel e do bico de pena observando os desenhos de mestres da HQ na sua infância e juventude, quando reproduzia as imagens de personagens criados por Alex Raymond (Flash Gordon, Secret Agent X-9, Rip Kirby), Hal Foster (Prince Valiant, Tarzan), Will Eisner (The Spirit).

Todavia, foi Milton Caniff (Terry and the Pirates, Steve Canyon), aquele em que Rubens encontraria uma fonte expressiva de maior influência para os seus estudos do P&B. Os amigos artistas assim o consideram um legítimo caniffiano! Outros mestres, tais como Eugenio Colonnese, Hugo Pratt, Guido Crepax e Milo Manara, foram referências importantes em sua trajetória artística. E a busca por uma síntese imagética no uso do P&B o levou a desenvolver suas pinceladas em nanquim preto, técnica que domina.

Golden Guitar por Luiz Carlos (Luscar) e Rubens Cordeiro (editora Graúna, 1967).

Primeiras HQs

Nos anos 1960, ele conheceu artistas com quem atuou nas principais revistas de HQ publicadas no Brasil. Criou personagens tais como Golden Guitar (em parceria com Rivaldo Macedo e Benedito Aparecido da Silva, o ‘Apa’), Super Argo (em parceria com Eugenio Colonnese), Mystiko (em parceria com Percival de Souza), Patrulheiro Fantasma, Homem-Fera (em parceria com Apa e Carlos M. Vaya).

Personagens

Nas décadas de 1970 e 80, chamado por Primaggio Mantovi como artista da Abril, desenhou diversos personagens e super-heróis, tais como o Homem Aranha, Homem de Ferro, Fantasma, Homem Pássaro, Herculóides, Pantera Negra, Batman, entre outros. Em especial, o Zorro foi um dos personagens para o qual o desenho de Rubens imprimiu grande expressividade, sendo reconhecido por isto entre os colegas desenhistas.

Noir

Rubens aprimorou o clima noir de suas imagens, sobretudo em HQs de horror, desenhando para as duas principais revistas de HQ brasileira dos anos 1980 – Calafrio e Mestres do Terror – ambas publicadas pela D’Arte, editora do amigo artista Rodolfo Zalla.

Séries em Preto & Branco

A partir dos anos 1990, Rubens Cordeiro iniciou várias séries de imagens, produzindo-as até hoje, principalmente retratos de personagens, cenas de filmes e paisagens, todas elas na técnica do pincel e nanquim sobre papel. Como diz, tais séries são feitas para estudar o P&B.

Rubens desenha todos os dias em sua velha prancheta, a mesma que o acompanha desde os tempos em que se dedicou profissionalmente à arte da HQ, 50 anos atrás".

Agradecimentos ao amigo João Antonio Buhrer pela imagem do catálogo do Paço das Artes.

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Robôzinho

Robôzinho é um robô extraterrestre vivendo suas aventuras em nosso planeta e aproveitando as boas coisas que a Terra tem a oferecer, principalmente garotas! 

Criado por Líbero Malavoglia e lançado em uma revista mensal de moda e estilo, em meados dos anos 1980, as páginas representavam perfeitamente o espírito da época e as tendências new wave do período, principalmente nas roupas usadas pelos personagens e no grafismo dos elementos das páginas.

Líbero Malavoglia, cartunista e ilustrador com formação em arquitetura, ficou bastante conhecido por criar, junto com o roteirista Paulo Garfunkel, o personagem O Vira Lata, para as páginas da revista Animal, da editora VHD Duffusion. O Vira Lata foi tema do oitavo número da coleção Grandes Aventuras Animal, de 1991, e participou de uma série de edições coordenadas pelo médico Drauzio Varella e dirigidas ao público carcerário com o objetivo de alertar sobre os riscos de contrair o vírus HIV.

Líbero na capa da revista Brigitte (FAU-USP) em 1986 e na edição especial de O Vira Lata, 1991.